Casa Comum
Pressão de Seguro pode "chamuscar" o Governo, assume Duarte Pacheco
09 abr, 2026 • Tomás Anjinho Chagas
Antigo deputado do PSD apressa Luís Montenegro e admite que a Presidência Aberta de António José Seguro pode desgastar imagem do Executivo. A socialista Mariana Vieira da Silva rejeita que Seguro substitua o PS na oposição. Revisão constitucional? PS deve manter-se de fora, defende.
Duarte Pacheco, antigo deputado do PSD, avisa o Governo que, se continuarem os atrasos nos apoios às zonas afetadas pelas tempestades, pode sair "chamuscado" pela pressão de António José Seguro – que continua em périplo pelos municípios mais fustigados.
Durante o Casa Comum, programa semanal da Renascença, o social-democrata defende um regime de exceção para que os apoios cheguem mais depressa aos municípios, como os regimes criados para acelerar as obras da Expo 98. Caso contrário, o Governo pode sair prejudicado com a pressão pública do Presidente da República.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
"Se nada acontecer, passados dois meses e mais dois, claro que isto vai desgastar o Governo, não tenho qualquer dúvida sobre isso", afirma Duarte Pacheco.
No entanto, o deputado do PSD acredita que o destino "está nas mãos do Governo" ao acelerar os apoios. "Se não fizer será punido, pelo menos em termos de opinião pública".
Duarte Pacheco acredita que o Presidente da República não está a assumir o "papel da oposição", e realça que em algumas áreas até deu a mão a Luís Montenegro.
"Aqui pode chamuscar o Governo por estar a pressioná-lo, mas há outras áreas onde tem ajudado, por exemplo na reforma laboral", argumenta o antigo deputado do PSD.
PS não vai ser substituído por Seguro na oposição
Mariana Vieira da Silva, deputada do PS, acredita que António José Seguro está a "desmontar a estratégia comunicacional do Governo", e a evitar que o efeito das tempestades seja "esquecido" ou substituído.
"O Presidente da República pode exercer esse papel de não deixar esquecer assuntos e promessas", defende a antiga ministra da Presidência.
Presidência aberta
Seguro e a terceira volta das presidenciais. A pressão a Montenegro em dia de reunião semanal
Para o Presidente da República, a relação entre Be(...)
Vieira da Silva lamenta que o Governo insista em atirar as culpas dos atrasos para as autarquias e diz estar curiosa sobre o que fará Seguro se os atrasos nos apoios se mantiverem.
"Se daqui por dois meses permanecer tudo na mesma, como é que muda o tom do Presidente da República, isso nós não sabemos", afirma.
A deputada socialista elogia o papel de António José Seguro ao "ser a voz daqueles que não têm voz", e afasta um cenário de o PS ser substituído pelo Presidente da República na oposição.
Mariana Vieira da Silva prefere olhar para a outra face da mesma moeda: "Aquilo que pode acontecer é o PS não estar sozinho", vinca.
"Não sinto, e julgo que o PS não deve sentir esses problemas", define Mariana Vieira da Silva.
"Nas tensões que aconteceram na Assembleia da República as coisas podem ser um pouco diferentes, mas a pressão do Presidente da República não deve fazer com que o PS perca a sua capacidade de ser muito vocal", pede a socialista.
Irão: a "demência" de Trump e a "banalização" da violência
O aparente cessar-fogo no Irão foi um dos temas em debate no Casa Comum. Duarte Pacheco, do PSD, fala numa grande derrota para os Estados Unidos e lamenta a forma como Donald Trump tem falado sobre o tema.
"Donald Trump não se desgasta porque é inimputável. Estamos a falar de alguém que eu acho que já está claramente ao nível da demência e infelizmente tem um poder brutal que nos afeta a todos", afirma o social-democrata.
Duarte Pacheco classifica o desfecho como um "grande desastre" para os Estados Unidos e acredita que o regime dos Aiatolás pode sair "mais radical" desta guerra no Médio Oriente.
Já Mariana Vieira da Silva, deputada socialista, acredita que dificilmente o cessar-fogo pode ser eficaz quando a violência marca os discursos do presidente norte-americano.
"A banalização de uma linguagem tão agressiva que chegou a falar do fim de uma civilização é uma coisa gravíssima que com muita probabilidade perdurará no pós-Trump", afirma a deputada do PS.
A antiga ministra do PS argumenta que "é muito difícil esperar um cessar-fogo eficaz - ainda que todos o desejemos - quando é esta linguagem que está em cima da mesa".
Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus.
- Seguro. "Nenhum combatente pode sentir que o país o tenha abandonado"
- Marques Mendes: "Revejo-me totalmente no exercício presidencial" de António José Seguro
- "Não pode ficar tudo na mesma" após mau tempo. Seguro pede rapidez nos apoios
- PCP elogia presidência aberta de Seguro por expor realidade e desmontar propaganda














