Sábado, 2 de Maio de 2020
O aparador é de madeira maciça, polida e suave no toque.
E a rotina do mês de maio, traz memórias de uma avó
baixinha, de mãos macias e avental florido.
Desaparece o tabuleiro com chávenas antigas,
os castiçais transparentes, os pássaros comprados numa viagem.
Uma simples caixa é tapada com um pano de linho bordado,
rico, pesado. Regressam os castiçais e, de um armário fechado,
retira-se com cuidado, a imagem frágil de Nossa Senhora de Fátima.
Aparece um terço, abençoado em Roma e oferecido por mãos amigas.
Numa taça de vidro rosado, abrem-se rosas de Santa Teresinha.
Ao toque de um pequeno sino, a família chega e reza-se o Terço.
Somos assim, peregrinos de Fátima, gente que não se cansa de chegar à Capelinha,
de ter nas mãos as contas do Rosário, de ir lembrando a cada mistério, os que já partiram,
os que estão sozinhos, os bebés que vão nascer, os exames dos mais novos,
os que perderam o emprego, os que estão doentes, os que estão felizes…
a banalidade de cada dia, que torna diferente cada vida, cada família.
E quando se sopram as velas, tudo faz mais sentido,
e a presença de Deus ganha forma e espaço entre nós.









