Quinta-feira, 23 de julho de 2020
Maria Teresa Frazão
É de louvor a noite.
Foi um acaso aquele almoço em que me sentei na mesa da Júlia, que vejo manhã cedo em trabalhos humildes.
Arruma caixotes. Limpa escadas.
Não havia mesas e perguntei se podia sentar-me ali.
Comecei a queixar-me da idade, do calor, dos joelhos que doem.
Mas lá me calei e dei tempo à voz da Júlia.
Conhece toda a gente aqui do bairro.
Sabe-lhes os nomes. Tem-lhes afeto.
E foi contando aquilo que só sabemos quando é o carinho que nos move.
Disse daquela senhora que não pode sair porque a filha deficiente que lhe ocupa a vida toda.
E do casal idoso que sempre se deu bem e agora é um inferno.
E até da dona Emília, tão bem disposta e agora demente já nem conhece o filho.
Sei que a Júlia diz que não é praticante, que não vai muito à igreja.
Sem ser praticante, como diz, também ela anuncia o Teu Reino.
Pela sua vida Te dou graças.
E Te peço, Senhor Jesus, que me ensines o seu jeito. Que é o teu.
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