Sábado, 30 de outubro de 2021
• Isabel Figueiredo
O toque das campainhas foi acompanhado de uma explicação
em voz baixa: «agora não se faz barulho, Jesus está aqui»
disse a avó, enquanto o neto, irrequieto, estranhava
o silêncio do momento da Consagração.
Logo de seguida, a pergunta aconteceu, inesperada, repetida,
mas cheia de autenticidade: «está a chegar o Jesus? Onde está?»
e olhava para a porta por onde tínhamos entrado…
A conversa continuou, entre a preocupação de não fazer barulho
e o encanto da interrogação, bela e pura.
Aceitou sem questionar o que lhe disse aquela avó,
e, no fim da Missa, despediu-se com beijos atirados ao sacrário,
uma mão pequenina a dizer adeus.
«Se não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus»
Esta afirmação que lemos e relemos, difícil de entender e aceitar,
na exigência de saber explicar o mistério de Deus,
pode tornar-se transparente, num final de domingo, numa pequena Igreja.
A expectativa de ver Jesus entrar pela porta,
a naturalidade de O saber no pequeno sacrário,
o adeus bem-disposto, com beijos soprados… em tudo, o Amor.
«Se não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus».








