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Sábado, 8 de janeiro de 2022

Isabel Figueiredo


Boa noite, 8 de janeiro de 2022

«Um renovado ímpeto para o céu.»


As palavras lidas no final da noite, trouxeram-me ao coração,
o peso de pés cansados e arrastados pelos dias,
o olhar poisado no chão, parado, quieto.

Mas abriu-se uma frincha, uma esgueira de luz, uma mão dada.

Oh, andar direito, andar de pé, caminhar pelos caminhos,
sem sentir migalhas, nem pedras, nem dores.
Tocar os cheiros e a beleza das árvores, pressentir a força das sementes caídas na terra.

Oh, olhar para o céu, azul e transparente, magnifico e consolador,
sem ver cinzentos, nem tempestades, nem nuvens.
Encontrar bandos de pássaros e rasgos de todas as cores no início de cada dia,
no final de cada tarde.

«Um renovado ímpeto para o céu.»

Somos assim, gente de pés arrastados, tantas vezes devorados
pelo pouco, o menos, o opaco.
Somos assim, gente de pés leves, tantas vezes seduzidos
pelo belo, pelo fruto, pelo céu.

«Um renovado ímpeto para o céu.»

Dá-me Senhor esta possibilidade de renovar, de refazer,
de descobrir de novo este céu tão nosso, porque Teu.
Dá-me Senhor este desejo tão puro, tão intenso, tão vital,
de Te encontrar e anunciar.
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