Carla Rocha entrevista André Canhoto Costa
André Canhoto Costa, historiador e autor do livro “A Corte das Mulheres”, conta-nos como de uma investigação de mais de 20 anos, nasceu uma grande história que a História de Portugal apagara. Nesta entrevista com Carla Rocha fala-nos de um grupo de mulheres portuguesas, cultas e influentes, muito à frente do seu tempo, cujos nomes foram esquecidos ao longo dos séculos e quase não constaram de manuais e arquivos. Joana Vaz, Públia Hortênsia de Castro, Luísa Sigeia, Paula Vicente, Francisca de Aragão e Guiomar de Blaesvelt. Saiba mais nesta conversa!
André Canhoto Costa é mestre em História Moderna e doutorado em História Económica pelo ISEG. É investigador do Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e, desde 2017, que tem uma rubrica radiofónica semanal intitulada “Crónicas Portuguesas”. Autor de vários livros, “A Corte das Mulheres” é a sua obra mais recente.
Sobre o livro "A Corte das Mulheres":
É a história da ascensão e queda de uma Corte iluminada pela presença de mulheres leitoras, amantes de livros, apaixonadas pela improvisação poética, cantoras afeiçoadas aos bailes, exímias dançarinas, mulheres cuja vida se compreende entre os reinados de Manuel I e Sebastião (1495-1578). Mulheres escritoras, rodopiando em salas, tocando alaúde, improvisando versos, dando conselhos a ministros e embaixadores, argumentando diante dos doutores, organizando a biblioteca das rainhas e princesas.
Influenciadas pela Itália renascentista, combateram a favor de uma religião do espírito, colocando no centro do debate a ascensão da mulher e a crítica do poder, o raciocínio sobre o amor e o desejo. Durante vinte anos, os salões animaram-se com os apaixonados, desesperados perante o comando feminino da literatura. Os poetas rastejaram, perderam olhos e braços, entraram para conventos, fugiram para a Ásia, soçobraram perante os desafios do amor, enquanto as mulheres envelheciam, condenadas a uma solidão imposta, fechando a mente e o corpo em salas cobertas de luto.
Mas enquanto a Corte das Mulheres existiu, brilharam a erudição de Joana Vaz, Públia Hortênsia de Castro e Luísa Sigeia, a música de Paula Vicente, o comportamento irónico e provocador de Francisca de Aragão e Guiomar de Blaesvelt, assim como os versos de Camões, Jorge de Montemor e Francisco de Morais, lidos por Cervantes, Lope de Vega e Shakespeare. Naquele tempo, os livros de amor gravitaram em torno da infanta Maria e da princesa Joana de Áustria, num exuberante mundo feminino prestes a nascer. O que aconteceu a esse século de ouro?
Leia o livro, recorde aqui a conversa com a Carla Rocha.












