O mieloma múltiplo (MM) é um cancro que se desenvolve nos plasmócitos, um tipo de glóbulos brancos produzidos na medula óssea.
Quando um plasmócito sofre uma mutação genética, deixa de funcionar corretamente, perde a capacidade de produzir anticorpos saudáveis e começa a multiplicar-se de forma descontrolada.
Essas células malignas acumulam-se na medula óssea, dificultando a produção normal de células sanguíneas (como glóbulos vermelhos e brancos) e podem causar lesões nos ossos, conhecidas como lesões osteolíticas. Além disso, libertam proteínas anormais (as chamadas proteínas M), que circulam no sangue e podem afetar órgãos como os rins.
"Na maioria dos casos, os primeiros sinais ou sintomas são muito pouco específicos", explica Sérgio Chacim, Diretor do Serviço de Hematologia da Unidade Local de Saúde de Gaia e Espinho.
Cansaço, dores nas costas ou anemia são facilmente atribuídos à idade, e isso atrasa o diagnóstico, refere o médico.
O MM é um tumor do sangue raro, mas o segundo mais frequente. Afeta, sobretudo, pessoas com mais de 65 anos, sendo a incidência ligeiramente maior nos homens. Em 2021, registaram-se 709 novos casos em Portugal e estima-se que vão surgir cerca de 500 a 700 novos diagnósticos em cada ano. Não é fácil de diagnosticar, porque os seus sintomas se confundem com os de outras doenças comuns às pessoas mais velhas.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, ser do sexo masculino, ter antecedentes familiares com a doença e certas condições pré-existentes, como a gamapatia monoclonal de significado indeterminado. Atualmente, não existem formas conhecidas de prevenção de MM.
O diagnóstico pode ser um desafio, porque os sintomas do MM são fáceis de confundir com outros problemas de saúde comuns.
Entre os sinais mais frequentes estão:
Chegar ao diagnóstico certo nem sempre é rápido.
Muitas pessoas passam meses a tratar “dores nas costas” ou “falta de ferro”, sem imaginar que por trás pode estar um mieloma múltiplo.
Os médicos recorrem a análises de sangue e urina, exames de imagem e, em alguns casos, biópsia da medula óssea.
"Apesar de não haver um rastreio recomendado é importante fazer um seguimento médico regular, para que os sintomas anormais sejam investigados e não negligenciados", sublinha o médico Sérgio Chacim.
Detetar o mieloma múltiplo nas fases iniciais permite iniciar o tratamento mais cedo, reduzir o impacto da doença e preservar a qualidade de vida.
Embora o mieloma múltiplo ainda não tenha cura, a ciência tem transformado completamente o tratamento, sendo possível controlar a doença durante longos períodos e com boa qualidade de vida.
“Embora ainda não seja uma doença curável, o mieloma múltiplo é hoje tratado como uma doença crónica”, explica o médico Sérgio Chacim.
Os principais tratamentos incluem:
Viver com uma doença crónica como o mieloma múltiplo exige informação e apoio.
Associações como a APCL – Associação Portuguesa Contra a Leucemia ajudam a esclarecer dúvidas, criar redes de entreajuda e defender os direitos dos doentes.
O conhecimento sobre o mieloma múltiplo tem crescido de forma impressionante.
Com novas terapias a surgir e uma maior consciencialização sobre os sintomas, há motivos para olhar o futuro com otimismo e confiança.
Estar atento ao corpo, procurar o médico e não desvalorizar sinais persistentes continua a ser a melhor forma de agir. Porque, quando o assunto é saúde, informação é poder. E pode mesmo salvar vidas."O futuro é muito encorajador. Estamos a caminhar para tratamentos cada vez mais personalizados, adaptados ao perfil biológico de cada doença", adianta o Diretor do Serviço de Hematologia da Unidade Local de Saúde de Gaia e Espinho.
Para mais informações, consulte o seu médico.
Uma informação com o apoio GSK.
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| 12/2025
Referências