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Carla Rocha Entrevista

Quando comprar casa, não pense só na área e na luz

Ana Marta Domingues (Texto - Produção); Carla Rocha


Rita Bento, a primeira mulher catedrática na área de Estruturas em Portugal esteve à conversa com Carla Rocha, na Renascença, numa entrevista sobre mulheres na engenharia, risco sísmico e prevenção.

Carla Rocha entrevista Rita Bento

Rita Bento começou o percurso no Instituto Superior Técnico ainda muito jovem, movida pela paixão pela física e pela matemática. Na altura, não imaginava que viria a abrir caminho para outras mulheres numa área onde elas eram ainda uma minoria. “Fazia apaixonada o que tinha a fazer”, contou na Renascença. A física, a matemática e a vontade de trabalhar numa área com impacto direto na segurança das pessoas levaram-na para a engenharia civil, mais concretamente para as estruturas.

Hoje, é professora catedrática de Estruturas e Engenharia Sísmica no Técnico e tornou-se a primeira mulher a chegar ao topo da carreira académica nesta área, em Portugal. Quando começou, recorda, as mulheres em engenharia civil “não chegavam a 10%”. Atualmente, andarão perto dos 25%. “Noto muitas mulheres e muito boas alunas”, sublinhou.
A conversa serviu também para falar de sismos e prevenção, sem alarmismos. A propósito dos recentes acontecimentos na Venezuela, Rita Bento defendeu que a resposta deve passar menos pelo medo e mais pela preparação: perceber o risco, reforçar edifícios vulneráveis e criar uma verdadeira cultura de segurança.
A especialista lembra que muitos edifícios antigos foram construídos com regulamentos desatualizados ou sem regulamentação adequada. Por isso, antes de retirar paredes, fazer obras profundas ou alterar a estrutura de uma casa, há um conselho simples: consulte sempre um técnico.
E deixa outra recomendação para quem vai comprar casa: não olhar apenas para a área, a luz ou a localização. “Pensar na segurança” também é essencial. A data de construção do edifício e as intervenções feitas ao longo dos anos são perguntas que podem fazer diferença.
Para Rita Bento, Portugal precisa de mais literacia de risco, mais reabilitação e melhores políticas públicas. Não para viver assustado, mas para viver mais preparado. Recorde aqui a conversa com Carla Rocha na Renascença.
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