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Sporting-Benfica. Há boas e más notícias, um reforço milionário ainda tímido e uma opção estranha

01 ago, 2025 • Afonso Cabral* • Opinião de Afonso Cabral


O treinador e comentador Bola Branca Afonso Cabral analisa o dérbi da Supertaça que deu o primeiro título da temporada para o Benfica. O que fica das ideias e opções de Lage e Borges?

O Benfica venceu o primeiro jogo oficial da temporada e conquistou a 10.ª Supertaça, num jogo passado longe das balizas. Foi um encontro ainda disputado num ritmo lento, não houve claro ascendente de nenhum dos lados.

Quanto ao jogo, não há motivos de grande sorriso para nenhum dos lados. Porque o Benfica junta este troféu a um vasto palmarés (e não quero negligenciá-lo) mas a exibição é pouco convincente e os reforços mostraram alguma carência de adaptação.

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O plantel ainda vai sofrer alterações e o tempo de trabalho, como diz Bruno Lage, é curto e isso são tudo fatores a ter em consideração. Do lado do Sporting, houve alguns apontamentos positivos, mas a dependência de Gyökeres pareceu demasiado evidente no que à criação de oportunidades diz respeito.

A organização coletiva

O Sporting apresentou-se num sistema híbrido, habitual em Rui Borges. A defender em 4-4-2, com Pedro Gonçalves perto de Harder, e a atacar a maioria das vezes em 3-4-3, com Fresneda perto dos centrais e Geny Catamo a dar largura ou com Hjulmand pelo meio dos centrais (mais raro) e a largura a ser dada pelos laterais. Acabou com Kochorashvili perto dos centrais.

Em pressão, os encarnados emparelharam homem a homem, com Barreiro perto de Pavlidis e Barrenechea a fazer sombra a Hjulmand. Em bloco baixo, viu-se uma linha de 5 com Aursnes na direita a tapar Maxi Araújo e Dedic com a responsabilidade de ir com Pote sempre que este baixava.

Com bola, a equipa de Bruno Lage manifestou claras dificuldades em circular por dentro atacando sempre pela direita através do binómio Aursnes/Richard Ríos, e aproveitando alguns erros de abordagem do lateral uruguaio do Sporting.

Os destaques

Lage a adaptar-se ao adversário foi uma constante: no 11 apresentado, com a inclusão de Barreiro a 10 (a pensar na pressão, porque pouco oferece com bola), na estrutura sem bola e até na forma como as substituições seguiram-se quase sempre às do Sporting e ainda foram mudadas em função de quem tinha entrado do outro lado.

Somaram-se erros. Foram vários os erros individuais que deram origem a lances perigosos. No Benfica, António Silva e Dedic fizeram passes para os avançados adversários; no Sporting foram Gonçalo Inácio e Maxi a fazê-lo. O último acabou em golo de Pavlidis, num lance em que Rui Silva não fica nada bem na fotografia.

Com Pavlidis, falta saber como será a gestão com Ivanovic no plantel. O grego foi a melhor unidade benfiquista, sobretudo na primeira parte, e mostrou-se quando Ríos e Barreiro andavam desaparecidos do corredor central.

Rui Borges também somou pecados. Zeno Debast entrou e deu outra vida ao ataque leonino. Descobriu os companheiros em passe inúmeras vezes e provou que devia ter começado de início depois de ter estado em bom plano na pré-temporada.

Já a entrada de Ricardo Esgaio causou estranheza. Quenda havia entrado poucos minutos antes para a esquerda e, com Esgaio, passou para a direita com o recém entrado a ser adaptado a uma nova posição. O Sporting perdeu profundidade e capacidade de carregar a área do Benfica quando o tempo escasseava.

Quanto ao duelo entre Pote e Barrenechea, foram os elementos mais da construção das duas equipas. O primeiro pela habilidade no primeiro toque e por perceber que, se baixasse muito, Dedic ia ficar a meio caminho; o segundo pela leitura de jogo e movimentação exímia.

Os reforços

Ríos teve uma exibição muito longe do que é capaz, com muitas perdas de bola e algo desligado no momento da perda, que proporcionou algumas transições perigosas ao Sporting. Porém fica diretamente ligado ao golo num lance em que expõe um pouco do que é capaz de oferecer à equipa: capacidade de drible em espaço curto.

Dedic mostrou algumas lacunas de posicionamento e por pouco o Sporting não conseguia aproveitar o espaço concedido nas costas. É lateral de transportar a bola, mas oferece poucas soluções em passe.

Por último, e visto que já abordei Barrenechea, falo no elemento leonino que merece destaque: Luis Suárez. Foi uma melhoria bastante significativa em relação a Harder e, apesar de não ter sido vistoso naquilo que fez, mostrou mais capacidade de leitura de jogo no que toca a movimentações sem bola e ligações com os colegas.

Contas feitas, sorri Lage e o Benfica num jogo em que ambos os conjuntos pareceram longe do que podem apresentar.

*é treinador e comentador de futebol na Rádio Renascença

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