Conversa de Eleição
PS e AD juntos? "Para dançar o tango são precisos dois"
19 mai, 2025 • Filipa Ribeiro
Fernando Medina fala do "momento mais difícil" do PS e defende que socialistas devem viabilizar o Governo se a AD clarificar que não se aproxima do Chega, nem da IL. Sobre a vida interna do PS, considera não ser tempo para falar sobre lideranças. Do lado dos social democratas, Miguel Poiares Maduro espera que PSD não faça o mesmo erro do PS com o Chega e alerta para eventuais riscos da aproximação do partido de André Ventura ao arco de governação.
Um dia depois de conhecidos os resultados eleitorais, Fernando Medina e Miguel Poiares Maduro alertam para a reflexão "necessária" sobre o desafio que o resultado "paradoxal" das eleições de ontem representa para o regime político.
No programa Conversa de Eleição, Fernando Medina considera que o Partido Socialista "está no momento mais difícil" depois de ter o "pior resultado". Para o antigo ministro das Finanças, o partido deve ainda assim viabilizar o Governo da AD, mas com condições. "Se na relação com a extrema direita ficar claro que Luís Montenegro a quer combater, se a Iniciativa Liberal não estiver na equação e se houver um compromisso de diálogo permanente com o PS, o partido não deve inviabilizar o Governo", defendeu.
O socialista realça sobre a necessidade de comunicação permanente que "para dançar o tango são precisos dois", e aproveitando a mesma expressão Miguel Poiares Maduro sublinhou que Luís Montenegro sempre soube que assim teria que ser.
Perante os cenários, Miguel Poiares Maduro avisa que há riscos caso o Chega se aproxime ao arco de governação. O social-democrata e antigo ministro do Governo de Pedro Passos Coelho realça que há quem entenda que a melhor forma de resolver as forças populistas é "trazê-las" para dentro do sistema para "tentar normalizar" ao fazer "um abraço de urso". No entanto, Miguel Poiares Maduro considera que com a atual configuração do Chega há riscos. "O Chega pode por um lado assumir a credibilidade de ser força de Governo e continuar a fazer política de separação o que levaria ao Governo a ter ainda menos tempo", defende.
Por outro lado, Miguel Poiares Maduro acredita que a "insegurança interna" do PS, depois da demissão do líder, pode ajudar no cenário de governabilidade.
Ainda assim, o social-democrata avisa que "os principais partidos políticos e o Presidente da República não devem pensar só na conjuntura, mas em termos estruturais para assegurar a viabilidade" do regime democrático, num "sistema de moderação" e em que a "alternância poderá ocorrer entre partidos democráticos do sistema".
Sobre entendimentos entre PS e AD, Miguel Poiares Maduro realça que "é possível que ao mesmo tempo" os dois partidos assumam "compromissos importantes para ajudar a resolver os problemas colocados pelo Chega ao regime, mantendo a divergência política".
Na vida do Partido Socialista, sobre a demissão de Pedro Nuno Santos, Fernando Medina diz que é uma decisão do próprio que merece respeito. Sobre o futuro do partido, o socialista entende que "haverá mais espaço para reflexão" caso as eleições internas se realizem depois das autárquicas. O socialista recusa confirmar se vai ser candidato à liderança do PS.
"Temos que ter tempo de reflexão e respeito pelo secretário-geral em funções pela campanha dura e resultado muito doloroso. Não me irei pronunciar nos próximos dias, creio que ainda não é o tempo. No dia a seguir às eleições, ainda há muita coisa a digerir", disse.
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