Conversa de Eleição
A semana começa com a análise de Fernando Medina e Miguel Poiares Maduro sobre o que se passa no país. Às segundas-feiras é dado o pontapé de saída com a conversa política que faltava. Para ouvir na Edição da Noite, depois das 23h. Conversa de Eleição é um programa com moderação da jornalista Filipa Ribeiro que pode ouvir também em podcast.
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Regresso imediato de Passos Coelho à política partidária? "Não faria sentido", diz Poiares Maduro

Conversa de Eleição

Regresso imediato de Passos Coelho à política partidária "não faria sentido", diz Poiares Maduro

02 mar, 2026 • Filipa Ribeiro


O antigo ministro não concorda com a visão do ex-primeiro-ministro quando defende um acordo entre PSD, IL e Chega. Miguel Poiares Maduro reconhece que críticas são desafio para a atual liderança. Fernando Medina conclui que regresso de Passos dividiu o PSD em dois e avisa que será também criado um problema ao PS. O socialista não tem dúvidas de que Passos Coelho apresentaria uma candidatura caso houvesse eleições marcadas no PSD.

Regresso imediato de Passos Coelho à política partidária "não faria sentido"
Regresso imediato de Passos Coelho à política partidária "não faria sentido"

Um regresso imediato do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho à vida política partidária "não faria sentido", defende Miguel Poiares Maduro.

Considera "natural" que Pedro Passos Coelho faça análise política, mas entende que o ex-primeiro-ministro não tem um "plano imediato de regresso à política partidária" o que, caso contrário, "não faria sentido".

Poiares Maduro integrou o Governo de Pedro Passos Coelho e no programa da Renascença, Conversa de Eleição, comenta as declarações do ex-primeiro ministro que esta segunda-feira dá uma entrevista ao jornal ECO.

O social-democrata realça que um regresso imediato de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD significaria que as "coisas não corriam bem na atual liderança", defendendo que "todos desejam que as coisas corram bem ao primeiro-ministro e ao Governo".

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Depois de Pedro Passos Coelho afirmar que não exclui uma candidatura no futuro, Poiares Maduro considera que a intervenção do ex-primeiro-ministro se deve ao fim do "período de nojo" que o próprio definiu e que, por isso, é "livre para se pronunciar sobre qualquer tema político".

O antigo governante compreende, no entanto, que as críticas de Passos representam "um desafio para a atual liderança", por ser "alguém com peso político dentro do partido e no país". Poiares Maduro entende que as críticas podem ser "um incentivo" para Luís Montenegro responder com maior "dinamismo" e ser até uma oportunidade para o primeiro-ministro expor a sua liderança.

O social-democrata considera que o "mais problemático" será a ideia de que o Governo não é reformista. Poiares Maduro sublinha que se Montenegro responder com sucesso pode acabar a "ganhar vantagem" e entende que o "melhor" é o primeiro-ministro ouvir todas as opiniões, "em particular das que têm muita experiência política".

Miguel Poiares Maduro, que foi ministro adjunto de Pedro Passos Coelho, confessa não concordar com a leitura do ex-primeiro-ministro sobre a necessidade de um acordo de legislatura entre PSD, IL e Chega.

O comentador entende que "a atual composição parlamentar não reflete uma maioria de direita", justificando que "boa parte do eleitorado do PSD e da Iniciativa Liberal é provavelmente um eleitorado de centro e que, se o PSD fizer uma coligação com o Chega, provavelmente esse eleitorado deixa o PSD para se aproximar do Partido Socialista". Poiares Maduro volta a defender que PSD tem mais pontos em comum com o PS.

O social-democrata também não acredita que Passos Coelho tencione, agora, partir na procura de arregimentar pelo país apoios nas concelhias e nas seções do PSD.

"Desafio direto a Montenegro"

Fernando Medina apresenta uma leitura diferente e não tem dúvidas de que Pedro Passos Coelho apresentava de imediato uma candidatura à liderança do PSD caso houvesse eleições diretas marcadas no partido. O socialista entende que Passos Coelho está a colocar "um desafio direto a Luís Montenegro", uma vez que se trata de alguém com peso político que foi líder de um Governo.

Na opinião de Fernando Medina, Passos Coelho só não anunciou uma candidatura "porque era ridículo uma vez que não há nenhuma eleição agendada" e entende que "se houve eleições daqui a um a três meses dentro do PSD Passos Coelho tinha dito que era candidato".

Medica recusa que Passos Coelho espere por eleições Presidenciais, uma vez que acabaram de acontecer, e entende que o objetivo do ex-primeiro-ministro é voltar a liderar um Governo. "A história da Presidência da República com Pedro Passos Coelho é caça a gambozinos", defende.

O socialista considera que as novas declarações do ex-primeiro-ministro expõem uma profunda divergência dentro do PSD, com Luís Montenegro e com a atual direção do Governo.

Fernando Medina considera que Pedro Passos Coelho vem oficializar dois partidos dentro do PSD o de Luís Montenegro e do Passos Coelho e realça que obviamente que "não é positivo para Luís Montenegro".

Regresso de Passos "também não é positivo para o PS"

Fernando Medina considera que o regresso do ex-primeiro-ministro social-democrata à cena política cria também dificuldades ao PS.

O socialista fala em "problema de diferenciação criado para o PS" que resulta da existência de "dois PSDs oficiais no campo político" no país, um liderado por Luís Montenegro e outro com o "regresso do retiro espiritual de Passos Coelho".

Fernando Medina entende ainda que Pedro Passos Coelho não vai precisar de "fazer telefonemas, nem sequer comer fatias de carne assada" pelo país para conseguir união à sua volta, uma vez que irá "faturar naturalmente" sendo apenas necessário esperar que "as sondagens não sejam positivas para Montenegro".

O socialista destaca que Passos Coelho já lançou inclusive a sua estratégia. "Ele está dentro do jogo da governação".

Medina vai integrar comissão política de Carneiro

Fernando Medina revela que "aceitou" o convite feito pelo atual secretário-geral do PS e confirma que fará parte da Comissão Política do PS.

O socialista rejeita cargos de direção, no Secretariado do partido.

Esclarece que se manterá na Comissão Política dos socialistas com o novo líder do PS. "Aceitei o convite do secretário-geral para integrar a Comissão Política. Eu não integrarei o secretariado nacional, como também já não integro, por isso manterei a posição que tenho hoje", diz.

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