Conversa de Eleição
A semana começa com a análise de Fernando Medina e Miguel Poiares Maduro sobre o que se passa no país. Às segundas-feiras é dado o pontapé de saída com a conversa política que faltava. Para ouvir na Edição da Noite, depois das 23h. Conversa de Eleição é um programa com moderação da jornalista Filipa Ribeiro que pode ouvir também em podcast.
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Conversa de Eleição

Medina avisa PS: "Não é responsável aprovar documentos numa governação em que é ignorado"

30 mar, 2026 • Filipa Ribeiro


O antigo ministro do PS considera que "não é possível" aprovar diplomas numa "governação feita sobre propostas do Chega". Fernando Medina é defensor do tom de José Luís Carneiro no Congresso do PS, mas entende que é necessário aguardar para ver o que acontece sobre o Tribunal Constitucional e uma eventual revisão da Constituição. Miguel Poiares Maduro entende que, apesar do novo enquadramento político, o PSD deve tornar claro que qualquer solução para o TC deve incluir o PS.

Vídeo. Medina avisa PS: "Não é responsável aprovar documentos numa governação em que é ignorado"
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Fernando Medina considera que o Governo "tem fechado por completo as portas" às tentativas de diálogo do PS e defende que "não é responsável da parte do Partido Socialista aprovar documentos estruturantes numa governação na qual é sistematicamente ignorado e feita sobre propostas do Chega".

O antigo ministro das Finanças considera "correto" o tom de José Luís Carneiro no Congresso do PS, em Viseu, – quando afirmou estar disposto a convergir com o Governo, no entanto, recorda a expressão "que para se dançar o tango são precisos dois".

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Fernando Medina realça, no programa Conversa de Eleição da Renascença, que o Governo não avançou com diálogo estruturado "em nenhum dos dossiês avançados pelo PS" e destaca que o executivo se prepara para uma operação em torno do Tribunal Constitucional "contrária ao acordo histórico que existia" – referindo-se ao eventual acordo entre PSD e Chega sobre a nomeação de juízes.

O socialista diz que é necessário compreender se o PSD vai ou não promover uma revisão da Constituição e afirma que, nesse contexto, já não será "responsável" da parte do PS aprovar diplomas do Governo.

Questionado sobre o risco de o secretário-geral do PS ser obrigado a rever o discurso nas próximas semanas, Fernando Medina responde que essa "não será uma questão". Entende que ficou claro que José Luís Carneiro definiu sempre a "disponibilidade para entendimentos como trave mestre da magistratura" e volta a destacar que é o Governo que "não tem usado essa disponibilidade". Fernando Medina considera que, apesar da falta de resposta do executivo, o PS não deve fazer "birra". O socialista destaca que o PS já chamou o suficiente à atenção de Montenegro.

Miguel Poiares Maduro, antigo ministro do PSD, considera que, quer o secretário-geral do PS, quer o presidente do PSD, enfrentam um desafio. Sobre o Tribunal Constitucional, o social-democrata destaca que a "realidade política é muito mais fragmentada" e alerta que PSD e PS já não são suficientes para se atingir dois terços do parlamento. Poiares Maduro defende, contudo, que mesmo "reconhecendo esta nova realidade política", o Governo deve incluir o Partido Socialista como "parte da solução" tendo em conta o "consenso e o pluralismo nacional".

Excedente orçamental elimina risco de défice?

O antigo ministro das Finanças Fernando Medina considera positivo o excedente orçamental de 0,7%, conseguido em 2025, mas no programa da Renascença faz uma leitura mais profunda sobre os dados conhecidos. O antigo governante considera "positivo" o resultado conseguido pelo Governo da AD, mas aponta "reservas" sobre a forma como foi conseguido o resultado orçamental.

Fernando Medina realça que o Estado está a gastar muito mais consigo próprio e que a despesa em investimento está muito abaixo das necessidades do país. O antigo ministro das Finanças aponta que o resultado positivo resulta de uma arrecadação de impostos e de contribuições por via da Segurança Social.

O antigo governante adianta que "as finanças públicas estão a caminhar não de forma positiva porque o Estado gasta mais em despesa corrente, mas menos em despesa de investimento".

Fernando Medina aponta ainda que, em termos de investimento público, o país continua a registar um nível baixo. " Estamos com níveis de investimento privado muito baixos, que importava refletir aquela estratégia seguida que de baixar o IRC que tem que ser olhado com a maior das atenções pelos principais ministérios do Governo", defende.

Já Miguel Poiares Maduro considera que a forma como foi conseguido o excedente orçamental não "é a mais virtuosa", sublinhando que o país tem níveis de investimento público "baixos" e que depende – há muitos anos – de "fundos europeus". O social-democrata defende uma mudança na economia e destaca que tem existido um desequilíbrio em matéria de exportações com um aumento da procura interna.

Poiares Maduro defende, contudo, que o aumento das importações pode significar investimento nas empresas com a importação de bens de equipamento e entende que o Governo deve agora usar o excedente orçamental para situações extraordinárias e não para aumentar a despesa corrente.

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