Conversas na Bolsa
Grandes debates e conversas no Palácio da Bolsa, no Porto. Organizadas pela Associação Comercial do Porto com o apoio da Renascença
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Conversas na Bolsa com Fernando Silva -  ouça na integra
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Conversas na Bolsa

"Empresas têm obrigação de ser exemplo para o Governo", diz chairman da Siemens Portugal

22 set, 2025 • Isabel Pacheco


O gestor da multinacional alemã, Fernando Silva, foi o convidado da última edição do "Conversas na Bolsa". Durante o almoço-conferência debateram-se os desafios da Transformação Digital.

Num discurso assente na inovação, no talento e na responsabilidade, o CEO da Siemens Espanha e chairman da Siemens Portugal, Fernando Silva, apontou os caminhos para o futuro do país e da Europa.

Durante mais uma edição do Conversas na Bolsa, no Porto, o gestor da tecnológica alemã pediu, desde logo, responsabilidade aos empresários para que sejam o exemplo ético para o Governo.

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“Não podemos pensar que toda a responsabilidade está na falta de ética política”, começou por alertar. “Nós [empresas] temos a nossa responsabilidade e, portanto, temos a obrigação de atuar eticamente e de ser um exemplo para com o Governo”.

“E aí, podemos cobrar do Governo e pedir-lhe que seja também um exemplo”, conclui o CEO da multinacional alemã em Espanha, avisando que, caso nada seja feito, “as empresas vão deixar de investir em Portugal”.

A posição arrancou um aplauso do publico presente no Palácio da Bolsa que, pouco antes ouviu os conselhos do gestor sobre a importância da digitalização - que mereceu por parte da tecnológica alemã um investimento de 15 mil milhões de euros “só no último ano” - e sobre a sustentabilidade que, para o gestor, deve ser encarada como um “triângulo que equilibra o ambiente, o social e a economia.”.

“Não há desenvolvimento sustentável sem ter capacidade de o financiar. Este triângulo deve ser equilátero e deve privilegiar os três fatores em simultâneo”, defendeu o também presidente não-executivo da Siemens Portugal, esclarecendo que a digitalização não deve ser entendida pelas empresas como “um objetivo por si”, mas como um “acelerador da eficiência, produtividade e circularidade”.

“Não precisamos de mais regulação”

No entanto, ressalvou, tanto a inovação como a competitividade podem ficar em risco caso a União Europeia insista em mais legislação.

“Não precisamos de mais regulação”, alertou o CEO da Siemens Espanha, defendendo que a regulamentação que a Europa prepara “deve ser parada ou, mesmo, cancelada para o negócio business to business”. Devem, sim, ser “promovidos para o negócio business do consumer porque aí sim, os consumidores necessitam a proteção. São o elo mais fraco”, justificou.

Quanto ao futuro da economia nacional, o gestor acredita que o país pode fazer melhor. A começar pela energia – setor onde Portugal pode não liderar, mas “ser um player importante”.

“Temos de trabalhar a capacidade que temos de ter renováveis, hidrogénio, comunidades energéticas e ser líderes neste campo. Porque a energia é o elemento central a todas as atividades”, apontou Fernando Silva, defendendo que o país deveria apostar “num mix energético equilibrado e competitivo (…) em busca da sua autonomia energética”.

Fernando Silva foi a convidado da Associação Comercial do Porto. Foi o orador do Conversas na Bolsa, na última sexta-feira, em que se debateram os desafios da transformação digital.

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