Conversas na Bolsa
Grandes debates e conversas no Palácio da Bolsa, no Porto. Organizadas pela Associação Comercial do Porto com o apoio da Renascença
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Conversas na Bolsa com Castro Almeida

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Alto Douro Vinhateiro: “Há um grande caminho a percorrer", avisa Castro Almeida

18 mai, 2026 • Isabel Pacheco


Os 25 anos do Douro como Património Mundial trouxeram ao Palácio da Bolsa o ministro da Economia para mais uma edição do “Conversas na Bolsa”, organizada pela Associação Comercial do Porto. Castro Almeida elogiou o papel do Douro na coesão territorial e apontou desafios para o futuro da região.

No ano em que o Alto Douro Vinhateiro celebra 25 anos como Património Mundial da Unesco, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, reconhece “o valor excecional” da região, que foi a que mais cresceu no Norte do país desde 2001.

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“É gratificante verificar que a região do Douro, na escala NUT3, foi a região que mais cresceu em toda a região Norte desde 2001, há 25 anos, quando foi reconhecida como Património Mundial da Unesco. A região cresceu 14 pontos percentuais no PIB per capita do conjunto das regiões do Norte”, destacou Castro Almeida durante mais uma edição do “Conversas na Bolsa”, no Porto.

“A má notícia é que a região do Douro, a Comunidade Intermunicipal do Douro, continua a oito pontos da média do PIB per capita da região Norte e a nove pontos da média nacional”, lamentou o ministro, reconhecendo que “há um grande caminho a percorrer”.

Consciente de que ainda “há muito trabalho a fazer” na região, Castro Almeida elencou vários dos investimentos previstos no âmbito do PRR — Plano de Recuperação e Resiliência — nas áreas da inovação, modernização e internacionalização do setor vitivinícola, assegurando que é também “prioridade do Governo” responder “aos desafios climáticos que o país enfrenta e que regiões como o Douro sentem de forma intensa”.

Nesse sentido, adiantou que “estão previstas intervenções ao nível da mitigação do risco agrícola, na ordem dos 1.200 milhões de euros”, que apoiarão a transição para sistemas de produção sustentáveis, baseados em técnicas de agricultura de precisão e numa maior digitalização.

Destacou ainda o investimento de 246 milhões de euros “em soluções que apoiarão as autarquias e as entidades gestoras de água na deteção precoce de secas e cheias, reforçando a resiliência dos sistemas públicos essenciais”.

Segundo o ministro da Economia, o setor vinícola e do vinho do Porto é “um dos pilares das exportações agroalimentares” que, em 2025, “atingiram quase mil milhões de euros”. Agora, o “desafio maior”, apontou, é alargar mercados e conquistar novos consumidores.

“Os nossos vinhos estão entre os melhores do mundo, nós sabemos”, afirmou.

“O desafio maior é garantir cada vez mais consumidores, em mais geografias, que reconheçam que os nossos vinhos estão entre os melhores do mundo. Neste contexto, os acordos comerciais estabelecidos, em particular o acordo com o Mercosul, representam uma oportunidade concreta para diversificar mercados e alargar a presença dos vinhos portugueses a novos públicos”, indicou.

Mas “a importância económica do Douro não se mede apenas por indicadores comerciais”, ressalvou Castro Almeida, sublinhando “o papel determinante na coesão territorial e na fixação de populações” em regiões que, de outra forma, estariam mais expostas ao despovoamento.

“O Douro é o exemplo de que é possível conciliar a atividade económica com a preservação ambiental e cultural. Esta paisagem, moldada ao longo de séculos pelo esforço humano, é um património vivo onde a tradição dialoga com a inovação e onde as práticas produtivas respeitam uma ligação profunda ao território.”

Do ponto de vista identitário, o vinho do Porto e o Douro são Portugal”, rematou.

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