Opinião
Miguel Cardoso trouxe futebol de classe da África do Sul até à Flórida
19 jun, 2025 • Francisco Sousa*
O comentador Bola Branca Francisco Sousa tira o chapéu ao belo Mamelodi Sundowns de Miguel Cardoso.
Uma das imagens da primeira jornada do Mundial de Clubes foi-nos oferecida num dos jogos mais exóticos da fase de grupos. Não, não falo do céu carregado a ameaçar tempestade devoradora (preparem-se, à mínima perspetiva de aguaceiro mais forte ou elétrico, o jogo é interrompido ou nem sequer inicia).
Falo mesmo da qualidade a elaborar ataques do multicampeão sul-africano Mamelodi Sundowns, orientado pelo português Miguel Cardoso, que derrotou os sul-coreanos do Ulsan (com o também português João Nuno Fonseca na equipa técnica).
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A excelente campanha recente na Champions africana (eliminou os também "mundialistas" Espérance Tunis e o Al Ahly e apenas caiu numa equilibrada final a duas mãos com os egípcios do Pyramids) já tinha mostrado do que esta equipa é capaz.
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Como é apanágio das equipas de Cardoso, o Mamelodi busca uma construção envolvente a partir da linha defensiva, utilizando os centrais e até o experiente guardião Ronwen Williams para chamar a pressão, com laterais mais abertos e os médios a baixarem para oferecer suporte (preferencialmente Teboho Mokoena, preciso a movimentar-se nas costas da primeira pressão e capaz de lançar passes verticais).
O chileno Marcelo Allende é um regalo para a vista, pela forma como se movimenta para dar uma linha de passe, vem buscar jogo atrás e aparece a dar soluções mais adiante. Nesta estreia, as movimentações de Themba Zwane a partir da meia-direita foram também importantes para ligar jogo.
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Mais adiante, e numa equipa que busca muito o jogo interior, destacaram-se Lucas Ribeiro e Iqraam Rayners. O criativo brasileiro conectou sempre bem na meia-direita, mostrou argumentos a romper com bola e no último passe. Já Rayners foi essencial nas desmarcações de rutura, além de mostrar boa relação com a baliza - sem ser tecnicamente prodigioso.
Movimentos muito complementares, com e sem bola, riqueza na variabilidade posicional, sempre com a preocupação de criar desequilíbrios por dentro, num estilo envolvente e que beneficia o espectáculo. Sejam bem-vindos ao futebol de classe, vindo diretamente da ponta sul do continente africano e com toque português.
*é comentador de futebol na Rádio Renascença




