Opinião Católica-Lisbon SBE
Ensaio sobre "Greatness" num futuro sem guião
08 jun, 2026 • André Alves
Pela primeira vez, uma geração inteira tem a possibilidade de construir caminhos verdadeiramente seus. Tem acesso a conhecimento praticamente ilimitado, pode colaborar à escala global, criar projetos a partir de qualquer geografia e reinventar-se várias vezes ao longo da vida. Nunca existiram tantas possibilidades. E, no entanto, existe uma sensação crescente de hesitação.
Durante décadas, a sociedade funcionou com base numa promessa implícita: se estudássemos, trabalhássemos e seguíssemos as etapas certas, o futuro acabaria por recompensar o esforço. Havia uma espécie de guião, nem sempre perfeito, mas reconhecível: estudar, conseguir um emprego, construir uma carreira, evoluir (tipicamente dentro da mesma organização) e reformar-se.
Esse guião nunca garantiu o sucesso, mas oferecia um aspeto igualmente importante: previsibilidade. As pessoas sabiam, com razoável confiança, quais eram os passos seguintes. Sabiam o que era esperado delas, sabiam quais eram as regras do jogo. O futuro podia ser mais ou menos favorável, mas era relativamente legível. Talvez seja por isso que, ainda hoje, continuemos a pensar a vida através dessa lógica, apesar de sabermos que ela já não corresponde à realidade. A verdade é que a evolução do mundo configurou alterações nas profissões, nas organizações, na forma como vemos e utilizamos a tecnologia, e também na forma como entendemos conceitos como trabalho, sucesso ou realização pessoal.
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Paradoxalmente, aquilo que para muitos representa incerteza deveria também representar libertação. Quando desaparecem os percursos pré-definidos, desaparecem também muitas das limitações que esses percursos impunham. Pela primeira vez, uma geração inteira tem a possibilidade de construir caminhos verdadeiramente seus. Tem acesso a conhecimento praticamente ilimitado, pode colaborar à escala global, criar projetos a partir de qualquer geografia e reinventar-se várias vezes ao longo da vida. Nunca existiram tantas possibilidades. E, no entanto, existe uma sensação crescente de hesitação. Talvez porque tenhamos sido preparados (nós, portugueses) para navegar mapas e não para desenhá-los.
Hoje, o verdadeiro desafio é criar um caminho quando ele ainda não existe. É uma mudança profunda. Exige uma relação diferente com o risco, com a aprendizagem, com a liderança e, sobretudo, com a ambição. É precisamente aqui que surge uma questão que me parece cada vez mais relevante: porque nos sentimos tão confortáveis a falar de mudança e tão desconfortáveis a falar de grandeza? Como se esta precisasse de ser justificada. Como se aspirar à excelência fosse, de alguma forma, incompatível com a humildade. Esta tensão é particularmente curiosa num país como Portugal. Somos um país que sempre viveu acima daquilo que a sua dimensão faria prever. Um país cuja história é feita de pessoas que recusaram aceitar os limites do seu contexto. Dos navegadores que partiram sem garantias de regresso aos empreendedores que hoje competem nos mercados mais exigentes do mundo, passando pelos cientistas, artistas, gestores, investigadores e atletas que projetam Portugal além-fronteiras, encontramos um padrão comum: a recusa em aceitar que o lugar onde começamos determina necessariamente o lugar onde podemos chegar. Os portugueses habituaram-se a ser resilientes. Habituaram-se a adaptar-se, a prosperar em cenários de incerteza. Talvez por isso seja ainda mais difícil compreender porque continuamos, por vezes, tão prudentes nas nossas aspirações.
Num futuro sem guião, a ambição não é um luxo. É uma condição de progresso. Não falo da ambição associada ao estatuto ou ao reconhecimento. Falo da ambição enquanto vontade de crescer. Enquanto desejo de aprender mais, de criar mais, de liderar melhor, de gerar maior impacto. Falo da convicção de que o potencial humano não é uma realidade estática, mas algo que pode ser continuamente expandido. Foi precisamente esta reflexão que esteve na origem da campanha Achieve Greatness da Católica-Lisbon SBE. Num momento em que a incerteza se tornou uma das características dominantes do nosso tempo, quisemos afirmar uma ideia simples: talvez a resposta não esteja em reduzir expectativas, mas em expandir possibilidades. Talvez não esteja em procurar novos guiões para substituir os antigos, mas em desenvolver a confiança necessária para escrever os nossos próprios percursos.
Porque greatness não é um destino. Não é um título. Não é um privilégio reservado a alguns. Greatness é aquilo que acontece quando deixamos de perguntar qual é o caminho certo e começamos a perguntar até onde efetivamente podemos chegar.
André Alves, Executive Marketing Director, da Católica-Lisbon SBE
Este espaço de opinião é uma colaboração entre a Renascença e a Católica-Lisbon SBE
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