Diários de um Pré-Conclave
Cardeais à solta, entre missas, muita reflexão e algum desporto
04 mai, 2025 • Aura Miguel, enviada da Renascença a Roma
Nos Diários do Pré-Conclave, a vaticanista Aura Miguel fala de simulações de telefonemas quando um jogo de ténis corre mal e revela o cardeal que vai anunciar o novo Papa a partir da varanda da Basílica de São Pedro.
Manda a tradição que, no domingo antes do Conclave e apesar de não ser obrigatório, os cardeais celebrem missa na sua igreja titular romana (a igreja que lhes foi atribuída pelo Papa quando lhes entregou o anel e o barrete cardinalícios). Estas igrejas estão espalhadas pela cidade e algumas delas encontram-se bem longe do centro, facto que transtornou hoje, ainda mais, a vida já frenética dos jornalistas. Como a lista dos "papabili" é vasta e ainda não se vislumbra uma luz ao fundo do túnel, a correria à procura de declarações exclusivas continuou… na verdade, sem grandes resultados.
Alguns cardeais aproveitaram para refletir e preparar o dia de amanhã, que será mais intenso do que o habitual porque, pela primeira vez desde a morte de Francisco, haverá duas Congregações gerais, uma de manhã e outra à tarde - sinal de que precisam de mais tempo para discernir o seu voto no Conclave.
Nas horas de descanso, há também cardeais que aproveitam o tempo livre para espairecer. Alguns praticam desporto. Por exemplo, jogar ténis é uma opção recorrente do cardeal sul coreano Lazarus You Heung-sik, de 74 anos, ex-Prefeito do Dicastério para o Clero, que costuma convidar os seus colaboradores da Cúria para umas animadas partidas. Por aqui, o ténis ajuda a descontrair.
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Outro tenista foi o espanhol Santos Abril y Castelló, antigo núncio e arcipreste da Basílica de Santa Maria Maior, hoje com 89 anos. Conhecido por jogar bem, tinha um problema: não gostava de perder. Testemunhas contam que, se o jogo não lhe era favorável, fazia um sinal ao secretário que se apressava a interromper a partida, simulando um telefonema urgente…
Enfim, também sabemos que o cardeal brasileiro D. Jaime Spengler, actual arcebispo de Porto Alegre, com 64 anos, gosta muito de jogar às cartas, coisa que poderá fazer, com outros cardeais, durante os intervalos e pausas.
Entretanto, o cronómetro para o Conclave avança em contagem decrescente. Neste domingo, foi celebrada, na Basílica de São Pedro, a última missa exequial por alma do Papa Francisco e quem a celebrou foi o cardeal francês Dominique Mamberti, antigo núncio e membro da Cúria. Quando houver fumo branco, será Mamberti, na qualidade de proto-diácono do Colégio cardinalício, o primeiro a aparecer na varanda da Basílica para anunciar o nome do próximo Papa.
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