Diários de um Pré-Conclave
Quem dorme onde, juramentos secretos e o milagre das chaves do carro
05 mai, 2025 • Aura Miguel, enviada da Renascença a Roma
Os aposentos dos 133 cardeais eleitores, o juramento das dezenas de religiosos e funcionários que vão garantir o funcionamento do Conclave e uma história com o "papibile" cardeal Jean-Marc Aveline são alguns dos destaques dos Diários de um Pré-Conclave desta segunda-feira.
Os cardeais eleitores já estão todos em Roma e já sabem onde vão dormir. Os quartos já foram sorteados, mas nem todos vão ter a mesma sorte.
Como uma parte da hospedaria está selada, por ter servido de residência ao Papa Francisco e devido ao número de eleitores (133) ser superior ao habitual (120), na Casa Santa Marta não há lugar para todos.
A Santa Sé viu-se obrigada a recorrer aos quartos da “Santa Marta velha”, uma casa de hóspedes menos confortável que já existia no Vaticano, antes de João Paulo II decidir mandar construir uma maior e mais moderna.
A partir de terça-feira, os cardeais que participam no Conclave já se podem instalar. Considerando, no entanto, as fortes restrições de segurança e “black-out” total de comunicações com o exterior (incluindo os estores das janelas viradas para o território italiano bloqueados), muitos dos eleitores poderão optar por entrar só na quarta-feira de manhã, antes da missa “Pro elegendo Pontefice”.
Os “invisíveis do Conclave” já prestaram juramento
Rigoroso foi também o juramento oficial que prestaram e assinaram na tarde desta segunda-feira algumas dezenas de eclesiásticos, religiosas e funcionários do Vaticano, cuja missão é considerada indispensável para o bom funcionamento do Conclave. O juramento foi prestado perante o cardeal camerlengo, Kevin Joseph Farrell, e duas testemunhas notariais.
O multifacetado grupo incluiu o secretário do Colégio Cardinalício, o mestre da liturgia, os cerimoniários pontifícios, alguns sacerdotes confessores de várias línguas, médicos e enfermeiros, ascensoristas, religiosas, funcionários do refeitório e limpeza, floristas, serviços técnicos e motoristas (para transportarem os cardeais entre a Casa Santa Marta e a Capela Sistina). Prestaram também juramento os diretores da Segurança e da Proteção Civil do Vaticano, com alguns dos seus homens, bem como o coronel e um oficial da Guarda Suíça Pontifícia.
Alguns técnicos permanecerão de serviço junto da Capela Sistina, com um comando remoto para ativar o fogão no caso de haver algum entupimento que impeça a saída do fumo após escrutínios. Os nomes de todo este pessoal invisível não foram divulgados pelo Vaticano. E, tal como os cardeais, não poderão comunicar com o exterior, nem contar depois o que lá se passou, sob pena de excomunhão.
O “milagre” da bolsa de Aveline
Quando chegou a Roma para o funeral do Papa Francisco, o cardeal Jean-Marc Aveline, arcebispo de Marselha, foi roubado. Os larápios levaram-lhe uma pasta com objetos pessoais e as chaves do carro.
Como o nome do cardeal francês tem vindo a ser apontado como eventual “papabile”, alguns “media” foram ontem assistir à missa na sua igreja titular, a Madonna dei Monti.
No final, enquanto os jornalistas e câmaras esperavam arrancar-lhe algumas palavras sobre o Conclave, o pároco não se conteve e revelou o sucedido: “na semana passada, a bolsa do cardeal, contendo entre outras coisas chaves e pertences pessoais, foi roubada. Mas depois de três dias, reapareceu. É a prova de que a Madonna dei Monti continua a fazer milagres”, anunciou sorridente.
A "bolsa do cardeal" foi encontrada no bairro Monti, a 100 metros da igreja, com as chaves do carro lá dentro.











