Diários de um Pré-Conclave
Como vai ser o arranque do Conclave? Pequena crónica dos nervos de quem entra e de quem fica de fora
06 mai, 2025 • Aura Miguel, enviada da Renascença a Roma
Conclave para escolher o novo Papa começa esta quarta-feira. A vaticanista Aura Miguel explica como será a cerimónia e descreve o ambiente de nervoso miudinho que já se sente no Vaticano.
A partir desta terça-feira , muitos dos 133 cardeais já se instalaram na Casa Santa Marta ou nas instalações anexas da hospedaria mais antiga, conhecida por Santa Marta velha.
Nenhum cardeal pode ficar com o seu telemóvel ou laptop. Se os levarem, têm de os depositar à entrada e só serão devolvidos no final, quando houver um novo Papa.
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Além disso, e como já foi anunciado, nenhum tido de comunicação com o exterior funciona, a não ser por fumos.
Na quarta-feira, quando forem 10h00 em Roma, todos os cardeais se concentram na Basílica para a “Missa Pro Eligendo Romano Pontefice”. Manda a regra que seja o cardeal decano a presidir a esta eucaristia, tal como presidiu às 12 Congregações gerais que se realizaram desde a morte de Francisco.
Só que, desta vez, o cardeal decano, Giovanni Battista Re, não entrará no Conclave por ter 91 anos. E o mesmo acontecerá ao vice-decano, Leonardo Sandri, com 81 anos. Assim, a responsabilidade pela condução do Conclave ficará a cargo do cardeal “papabile” Pietro Parolin.
Após o almoço, os 133 cardeais eleitores dirigem-se ao Palácio Apostólico, concentram-se na Capela Paulina e é daí que, pelas 16h30, partem em procissão para a Capela Sistina, ao som da ladainha dos santos.
Depois, prestam um juramento solene. Grande parte dos purpurados (108 foram nomeados pelo Papa Francisco) são caloiros, pois nunca participaram num Conclave - no grupo de caloiros estão os quatro cardeais portugueses: D. Manuel Clemente, D. António Marto, D. Tolentino de Mendonça e D. Américo Aguiar.
E muitos, provavelmente, nunca terão imaginado vir a integrar semelhante grupo de elite. Podemos pois imaginar com que nervos poderão ficar quando, perante aquela beleza, tão solene e esmagadora, do juízo final de Miguel Angelo, chegar a sua vez de votar.
Nervos teremos também os milhares de jornalistas que, habituados a coscuvilhar e a descobrir notícias, vamos ter de nos limitar, nos próximos dias, a olhar impotentes para uma discreta e magrinha chaminé.
Na verdade, com exceção desta quarta-feira, em que só haverá uma votação, esperam-nos longas horas, de olhar fixo, quatro vezes ao dia, na esperança do tão desejado fumo branco que ninguém faz ideia de quando vai acontecer.












