Dúvidas Públicas
Todas as semanas, uma entrevista para ajudar a entender as opções de política económica e o caminho que as empresas vão abrindo na conquista de mercados, nacionais e internacionais. Um olhar para os pequenos e grandes negócios numa conversa conduzida pelos jornalistas Arsénio Reis e Sandra Afonso. Para ouvir aos sábados ao meio-dia.
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Presidente da ENSE admite menor qualidade nas bombas low cost, mas não é um “problema”

Dúvidas Públicas

Presidente da ENSE admite menor qualidade nas bombas low cost, mas não é um “problema”

18 abr, 2026 • Sandra Afonso , Arsénio Reis


O Presidente da Entidade Nacional para o Setor Energético diz que os postos de abastecimento independentes precisam de mais fiscalização. Alexandre Fernandes explica que Portugal nunca vai conseguir competir com os preços da energia em Espanha. Em entrevista à Renascença, o representante assegura que Portugal tem combustível dos aviões na reserva nacional.

Presidente da ENSE admite menor qualidade nas bombas low cost, mas não é um “problema”
Presidente da ENSE admite menor qualidade nas bombas low cost, mas não é um “problema”

O Irão anunciou esta sexta-feira o desbloqueio do Estreito de Ormuz e o preço do barril de petróleo reagiu de imediato em baixa. No entanto, é "prematuro" respirar de alívio, acredita o presidente da Entidade Nacional para o Sector Energético (ENSE).

Em entrevista à Renascença, Alexandre Fernandes admite que os postos de abastecimento independentes ou low cost precisam de mais fiscalização.

"Nas entidades independentes ou low cost, muitas vezes a estrutura de controlo é mais débil. Por isso, a fiscalização pública é ainda mais relevante”, defende.

O presidente da ENSE também considera que este é um mercado “altamente especulativo” e que a guerra no Médio Oriente ainda não está resolvida. Além disso, os preços vão levar “meses” a estabilizarem, após a conclusão do conflito.

“No sector petrolífero, ao contrário de muitos outros sectores, as dinâmicas são robustas. São meses normalmente até estabilizar”, explica.

O representante descreve em números o impacto desta guerra e analisa o peso do Estreito de Ormuz no mercado petrolífero.

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O presidente da entidade fiscalizadora explica que a reserva nacional garante atualmente 82 dias de consumo energético, depois de o governo ter libertado o equivalente a 10 dias para o mercado, em resposta ao apelo da Agência Internacional de Energia.

Alexandre Fernandes assegura ainda que, ao contrário do que foi noticiado, a reserva estratégica inclui jet fuel, o combustível utilizado pelos aviões, e desvaloriza receios de uma eventual rutura. “O número de dias de jet fuel é normal, não há aqui nenhuma questão fora do habitual”, garante.

Apesar dos postos de abastecimento precisarem de um reforço na fiscalização, não considera que esteja em causa a qualidade do combustível low cost. “Das amostras que fizemos até agora, há mais problemas nas independentes do que nas grandes operadoras, mas não é um problema generalizado”, garante.

No último ano, a ENSE realizou quase 1500 ações de fiscalização e registou mais de 900 infrações, puníveis com coimas. Desde o ataque ao Irão, já foram fiscalizados cerca de 300 postos de abastecimento.

Nesta entrevista ao Dúvidas Públicas, Alexandre Fernandes diz que Portugal nunca vai conseguir competir com os preços da energia em Espanha. A diferença não se explica só com a carga fiscal, os custos de distribuição no país vizinho são muito mais baixos, o que se reflete no preço dos combustíveis e do gás.

“Nós ficamos muito curtos quando falamos em menos de duas centenas de oleodutos (em Portugal). A nossa relação com Espanha, normalmente, é de um para cinco”, diz.

O presidente da ENSE não considera um problema a única refinaria nacional passar a ser gerida por espanhóis, na sequência da fusão da Galp com a Moeve. Pelo contrário, espera que o negócio baixe os preços finais.

Alexandre Fernandes fala ainda dos desafios do armazenamento energético e do processo de transição energética. O crescimento dos veículos elétricos em circulação exige uma adaptação mais rápida de infraestruturas, sobretudo nos grandes centros urbanos, e a adaptação da rede elétrica.

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