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"Há muitos livros escolares com ideias imperialistas"
Ouça a entrevista a Ana Paula Tavares, no programa Ensaio Geral

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"Há muitos livros escolares com ideias imperialistas"

17 jan, 2026 • Maria João Costa


A escritora Ana Paula Tavares é a entrevistada do programa Ensaio Geral, da Renascença. A galardoada com o Prémio Camões 2025 fala da sua obra e deixa também um olhar crítico sobre a atual situação em Angola, 50 anos depois da independência, e sobre a descolonização.

Os manuais escolares ainda contêm ideias imperialistas e, muitas vezes, retratam as mulheres de "forma pouco eloquente", lamenta a escritora angolana Ana Paula Tavares, em entrevista ao programa Ensaio Geral da Renascença.

Questionada sobre a questão da reparação histórica entre Portugal e Angola e outras antigas colónias, a poetisa defende "que se confundem muitas coisas na palavra reparação".

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"O assunto não foi ainda suficientemente discutido. É preciso falarmos das coisas, não termos medo. É preciso que os europeus tenham consciência de que precisam de falar com os africanos e juntos decidir o que é melhor para todos. Não é unilateral. Ninguém pode decidir de um lado que: vou enviar três ou quatro objetos para o sítio tal e o assunto fica resolvido. Não. É muito mais profundo do que isso, há muito mais assuntos que têm que ser estudados", argumenta.

Nesse sentido, Ana Paula Tavares dá o exemplo de manuais utilizados pelos alunos nas escolas da Europa e de África que ainda contêm ideias imperialistas.

"Há livros escolares que têm que mudar, quer na Europa quer nos países africanos, porque há muitos livros escolares que continuam a ter por vezes disfarçadas ideias imperialistas na forma como oferecem aos alunos as matérias, onde o papel da mulher está muitas vezes também de forma pouco eloquente, mas está subsumido no meio de uma série de outras coisas que aparecem nesses manuais", sublinha.

Sobre a situação em Angola, 50 anos depois da independência, Ana Paula Tavares considera que "infelizmente, ainda falta muita coisa" no país, a começar pelos jovens sem acesso ao ensino, passando pelo sistema de saúde, os índices de mortalidade e defende a necessidade de "um sistema nacional de bibliotecas que permitisse que toda a gente pudesse ler, porque o livro que se compra na livraria tornou-se um objeto caro, de luxo".

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