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As voltas que o mundo dá, mudam a nossa vida. De Washington a Moscovo, de Bruxelas a Pequim, afinal como se está a construir a nova ordem mundial? No Escala Global, olhamos para o que decidem os protagonistas internacionais, para os conflitos da atualidade e para o papel de Portugal no mundo. À quinta-feira, o jornalista Alexandre Abrantes Neves conta com a análise de Manuel Poejo Torres e de um convidado para perceber como se governam os nossos tempos.
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Vitorino lamenta "embaraço" do Governo na gestão da polémica com Lajes

20 mar, 2026 • Alexandre Abrantes Neves


O socialista e antigo ministro da Defesa critica o Governo por não construir um "golpe de asa" para contornar a polémica e esclarecer o uso da base pelos EUA. Quanto a Seguro, fala num discurso de posse "equilibrado" e diz esperar que seja parte ativa na redefinição da política externa.

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António Vitorino, antigo ministro da Defesa, lamenta o “embaraço” com que o Governo geriu a polémica com a utilização norte-americana da base das Lajes nas últimas semanas.

No programa Escala Global da Renascença, o governante socialista no primeiro executivo de António Guterres diz não ver qualquer problema de base com a postura e a decisão do atual executivo, mas aponta erros de comunicação.

Houve manifestamente embaraço, houve incómodo e não houve um golpe de asa para sair desse embaraço e desse incómodo. Mas, no que conta que a substância das coisas, não teria sido diferente, qual fosse o governo português”, defende, ressalvando, no entanto, que não é contestável” que a operação norte-americana e israelita funciona à margem do direito internacional.

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No painel que dividiu com Manuel Poêjo Torres, comentador de assuntos internacionais da Renascença, Vitorino insistiu na necessidade de adaptar a política externa portuguesa às mudanças geopolíticas provocadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

E, nesse processo, o socialista – cujo perfil chegou a ser apontado como “ideal” por muitos militantes do PS – diz esperar um papel ativo por parte de António José Seguro, como último representante da política externa portuguesa.

“Acho que os três parágrafos que ele dedicou a essa matéria no discurso de posse são parágrafos equilibrados e estão no ponto”, afirmou, apelando um “diálogo” para responder à “conjuntura muito complexa”.

“O Presidente da República, nos temas da Constituição, é o supremo representante na ordem externa, embora a política externa do Estado seja obviamente definida pelo Governo”.

Já quanto ao investimento em defesa e a meta de 2% do PIB até ao final do ano passado, António Vitorino lamenta que o governo não transmita uma “noção clara” de como o objetivo foi ou será alcançado e pede maior pedagogia por parte dos responsáveis políticos.

“A sustentação da opinião pública para as decisões que vão ter de ser tomadas, e que vão ser decisões difíceis e que exigem uma sustentação popular, não pode apenas basear-se no medo de uma intervenção russa. Tem de ter outra sustentação, tem de ter uma narrativa sobre a importância da defesa e da segurança para além daquilo que é a conjuntura. E para isso é preciso explicar para quê”, apela.

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