06 nov, 2025 • José Pedro Frazão
A União Europeia está comprometida com a ação climática, mas a luta precisa de muitos mais parceiros. A mensagem deixada pelo Presidente do Conselho Europeu na abertura da Cimeira de Líderes pelo Clima que precede a COP30 - 30ª Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas foi direcionada para a necessidade de multilateralismo e de parcerias, independentemente dos compromissos e resultados próprios da União Europeia.
"Contamos com todas as Partes para concretizar uma ação climática decisiva – com a proteção dos oceanos, a biodiversidade e uma transição energética justa no seu centro. Sem multilateralismo não há ação climática decisiva. E a União Europeia, que é o maior doador mundial de financiamento climático, estará empenhada em mobilizar ainda mais recursos, através da reforma do sistema financeiro internacional e do envolvimento dos setores público e privado", disse Costa no seu discurso onde expressou apoio à Presidência brasileira da COP30.
Repartindo o púlpito em nome da União Europeia com o "seu amigo" Costa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, trouxe exemplos sobre como a Europa está disposta a partilhar medidas e estratégias de transição para uma energia limpa.
"Nos últimos quatro anos, estabelecemos mais de 40 parcerias bilaterais para a transição para as energias limpas em todo o mundo. Geram emprego e crescimento nos países parceiros, ao mesmo tempo que levam produtos limpos aos nossos mercados", explicou a líder do executivo comunitário. A União Europeia contribuiu com mais de 34 mil milhões de euros em 2024 de financiamento público para o clima, mais de 10% face ao ano anterior.
Ambiente
António Costa e Ursula von der Leyen participam qu(...)
Outro ponto focado por Von Der Leyen centrou-se na fixação de preços do carbono, apresentada como "a ferramenta mais poderosa no arsenal climático". A presidente da Comissão notou que Bruxelas está a apoiar os seus parceiros na construção dos seus próprios sistemas de comércio de emissões.
Coube a António Costa detalhar os compromissos europeus para ajudar a limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. "Tenho o prazer de anunciar que a Contribuição Nacionalmente Determinada da União Europeia submetida à COP30 varia entre 66 % e 72 % da redução de emissões em comparação com os níveis de 1990", disse Costa em Belém do Pará como prova de manutenção de um rumo que permita atingir a neutralidade climática carbónica em 2050.
"Entre 1990 e 2023, na União Europeia, as nossas emissões líquidas de gases com efeito de estufa diminuíram 37 %, enquanto a nossa economia cresceu 68 %. Continuamos por isso convictos de que é este o caminho para reduzir as emissões em 55 % até 2030", argumentou o Presidente do Conselho Europeu. "O caminho tem sido difícil, mas tem tido resultados", garantiu Costa num discurso integralmente em português.