12 dez, 2025 • José Pedro Frazão
Os Estados Unidos querem atacar a ideia de uma Europa organizada coletivamente como União Europeia. A tese é da antiga ministra socialista Mariana Vieira da Silva, que defende na Renascença que a resposta da Europa à nova estratégia de segurança norte-americana passa por mais decisões em bloco da União Europeia.
"Os Estados Unidos querem atingir precisamente essa organização chamada União Europeia e todas as dimensões em que nos organizamos coletivamente. Por isso devemos ser capazes de decidir mais coisas de forma coletiva", defende a deputada socialista.
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Mariana Vieira da Silva considera que a estratégia de segurança norte-americana é "um sismo autêntico" na forma como a Europa se relaciona com o mundo. "A Europa é aqui apresentada como um inimigo na estratégia americana. Podemos todos continuar a utilizar a palavra 'aliados', mas não estamos já a referir-nos à mesma coisa", argumenta a dirigente do PS.
No programa "Casa Comum", o antigo presidente da União Interparlamentar, Duarte Pacheco, não tem dúvidas de que os Estados Unidos deixaram de ser aliados da Europa.
"Este documento é um verdadeiro pesadelo, sobretudo porque põe em causa aquilo que tínhamos como adquirido. Temos que, definitivamente, deixar de ver os Estados Unidos como um aliado. De facto, não é, essa relação acabou", sentencia o antigo parlamentar do PSD, na Renascença.
Como resposta, Duarte Pacheco sugere uma demonstração de liderança pelos europeus. "A única coisa que Trump respeita são lideranças fortes. Precisamos de ter, definitivamente, posições firmes, não vacilar e ter orçamentos de defesa compatíveis com essa afirmação", contrapõe o militante social-democrata.
Já o eurodeputado do Chega, Tânger Corrêa, defende uma estratégia de liderança tecnológica pela Europa. "Só tem um caminho - transformar-se novamente numa região que vai adotar uma política energética, científica, de ponta em termos de desenvolvimento económico", sustenta o embaixador de carreira atualmente no Parlamento Europeu.
Tânger Corrêa alega que isso é o contrário do que acontece neste momento. "Se nós taxarmos as indústrias como estamos a fazer, nunca poderíamos desenvolver nem as próprias indústrias, nem a tecnologia a que ela está associada", afirma o eurodeputado do Chega no programa "Casa Comum" da Renascença, em parceria com a EURANET - Rede Europeia de Rádios.