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Eurobarómetro

Portugueses são os europeus mais preocupados com catástrofes naturais agravadas pelas alterações climáticas

04 fev, 2026 • José Pedro Frazão


O mais recente Eurobarómetro do Parlamento Europeu mostra também uma preocupação muito elevada de preocupação dos portugueses com os fluxos migratórios desregulados, acima de qualquer outro país europeu. O estudo, realizado em novembro de 2025, alinha Portugal com o apelo generalizado na Europa para maior unidade no espaço comunitário no atual contexto político e recoloca a saúde pública como prioridade máxima identificada pelos portugueses para a ação dos eurodeputados.

Os cidadãos portugueses são os europeus que expressam maior preocupação com os desastres naturais agravados pelas alterações climáticas, indica o Eurobarómetro de Outono do Parlamento Europeu, divulgado esta quarta-feira.

Numa escala de 0 a 100, a preocupação portuguesa chega aos 91%, bem acima da média europeia de 66% nesta escala. Os resultados foram apurados entre 7 e 26 de novembro com base em 1.037 entrevistas presenciais.

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O trabalho de campo do Eurobarómetro de Outono do Parlamento Europeu coincidiu com um mês marcado pela depressão Cláudia, reconhecida oficialmente pelo Governo português como "fenómeno climatérico adverso equiparável a catástrofe natural", nos despachos que definem apoios destinados a agricultores afetados pela intempérie. As seguradoras estimaram os danos em 31 milhões de euros no terceiro mês de novembro mais chuvoso do século.

Portugueses preocupados com imigração descontrolada

As preocupações portuguesas com os fluxos migratórios descontrolados estão também em máximos no plano europeu, com 88% de preocupação, acima da média europeia de 65%.

Os cidadãos nacionais são também dos europeus que mais afirmam a necessidade de união dos 27 para enfrentar os atuais desafios mundiais (96% em Portugal, valor acima dos 89% na UE).

O estudo mostra ainda um apelo dos portugueses acima da média europeia a um papel mais ativo da União Europeia (94% em Portugal acima dos 86% europeus) e mais recursos da União para fazer face às ameaças internacionais (90% entre cidadãos portugueses em contraste com 73% da média europeia).

O estudo mantém níveis elevados de europeísmo em Portugal, em linha com a tradição dos estudos dos últimos anos. Os portugueses são os europeus com a "imagem mais positiva" do Parlamento Europeu, com 57%, contrastando com uma avaliação europeia de 38%. Em ambos os casos, a imagem da instituição liderada por Roberta Metsola continua a cair no plano europeu, com o terceiro estudo consecutivo nessa tendência desde o verão de 2024.

Na imagem global da União Europeia, os portugueses são o segundo povo europeu com a perceção mais positiva da União Europeia (69%, abaixo dos 70% na Suécia, muito acima dos 49% da média europeia). No plano dos 27, a imagem positiva da União Europeia volta a cair da fasquia dos 50% , interrompendo uma subida consistente da apreciação positiva da UE ao longo dos últimos 2 anos.

Quarenta e oito por centro dos portugueses e 52% dos europeus dizem-se pessimistas em relação ao futuro do mundo. A nível individual, 72% dos portugueses dizem-se otimistas em relação ao seu futuro e ao da sua família, abaixo dos 76% da União Europeia. 72% dos inquiridos portugueses manifestam dificuldades em pagar as contas “na maioria das vezes”. 31% dos portugueses admitem que o seu nível de vida vai diminuir nos próximos cinco anos.

Entre as áreas que os cidadãos gostariam de ver tratadas como prioridade pelo Parlamento Europeu, a saúde pública continua no topo das preocupações portuguesas (68%, um máximo europeu), seguida da inflação, aumento dos preços e o custo de vida (58%, acima da média europeia de 41%), e da economia e criação de emprego (que preocupa 45% dos portugueses contra 35% da média da UE).

Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus

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