Euranet Plus Summit
Andrius Kubilius: UE pode precisar de uma “força militar europeia”
21 abr, 2026 • Hugo Monteiro , com equipa Euranet Plus
Este ano, o Euranet Plus Summit convidou o comissário europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius. Antigo primeiro-ministro da Lituânia e eurodeputado, Kubilius admite que, ao enfrentar a maior crise de segurança desde a sua criação, a União Europeia poderá ter de avançar para um exército europeu comum.
O comissário europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, admite ser necessário criar “uma força militar europeia”, a que se poderá chamar de “exército europeu”.
Em entrevista à Euranet Plus, a rede europeia de rádios de que a Renascença faz parte, o comissário explica que esta “força de reação rápida europeia” não será “um substituto dos exércitos nacionais”, mas antes “um substituto das tropas americanas que se encontram, atualmente, no continente europeu”.
Nesta entrevista, Andrius Kubilius classifica o atual momento da Europa como a maior crise de segurança que o bloco comunitário enfrentou desde que foi criado.
Um quadro perante o qual os europeus têm de se valer dos seus próprios meios e encontrar, em conjunto, as soluções para garantir uma capacidade militar credível capaz de defender o continente. Uma situação que se agravaria se os Estados Unidos da América (EUA) retirassem os 80 mil a 100 mil militares estacionados na Europa, tal como Donald Trump tem ameaçado.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Com a guerra na Ucrânia, a ameaça russa e a “estratégia NATO 3.0” de Donald Trump a serem os principais desafios que se colocam à União Europeia (UE), Kubilius apela, nesta entrevista, a “uma unidade política muito maior entre os Estados-Membros no que diz respeito às questões de defesa”. Algo que, sublinha, “ainda está por acontecer”.
Conflitos
Produção de armamento na UE está muito abaixo da Rússia, diz comissário
"A Rússia produziu, no ano passado, 1.200 mísseis (...)
Apesar das iniciativas de Bruxelas para apoiar os Estados-Membros a aumentar a produção de armamento e a acelerar a expansão da indústria de defesa, o setor está fragmentado.
“Para que a Europa consiga realmente ter muito mais sucesso no desenvolvimento de grandes projetos pan-europeus — como a Iniciativa de Defesa contra Drones, a vigilância do flanco oriental ou o Escudo de Defesa Aérea”, é preciso que essa unidade europeia seja reforçada, diz.
Europa atrasada na produção de mísseis
A defesa, em particular, é um setor em que a UE continua, em grande parte, dependente dos EUA. No entanto, com os norte-americanos em conflito com o Irão, a Europa tem de ser ela própria a assegurar o seu rearmamento, defende o comissário. Até porque a Europa está muito atrás, por exemplo, da Rússia ou até da Ucrânia, acredita o comissário.
"Neste momento, apesar de todos os nossos investimentos na defesa, a Rússia está a produzir mais do que nós – e por uma margem considerável. E isso é realmente uma tendência preocupante. Por exemplo, no que diz respeito à produção de mísseis de cruzeiro, a Rússia produz cerca de 1.200 mísseis por ano. Nós, na UE, conseguimos produzir cerca de 300. Os ucranianos começaram no ano passado a produzir mísseis de cruzeiro. Este ano irão produzir cerca de 700. Os russos estão a produzir anualmente cerca de mil mísseis balísticos, que foram utilizados para atacar a Ucrânia. Não estamos a produzir esses mísseis de todo na Europa, enquanto os ucranianos estão a começar a produzir este ano os seus próprios mísseis balísticos”, descreve Andrius Kubilius.
Guerra na Ucrânia
UE prevê desbloquear empréstimo de 90 mil ME à Ucrânia até junho
Com a derrota eleitoral de Orban no domingo, que l(...)
Ucrânia e a União Europeia de Defesa
Nesta entrevista, e quando questionado sobre a recente sugestão do Presidente ucraniano de que a Ucrânia deveria juntar-se a um sistema de defesa comum, Andrius Kubilius diz ver “muita racionalidade” no que diz Volodymyr Zelensky.
“Em primeiro lugar, temos de compreender que, se Putin decidir iniciar uma agressão contra a NATO ou contra Estados-Membros da UE, algures na vizinhança da Rússia, tal como os nossos serviços de informações militares nos alertam constantemente, então enfrentaremos um exército russo com experiência de combate, capaz de utilizar milhões de drones – os ucranianos prevêem que, este ano, os russos poderão utilizar cerca de sete ou oito milhões de drones".
Para o comissário, "o exército russo é hoje muito mais forte do que era em 2022. E do nosso lado, entre os membros da UE ou da NATO, não temos essa experiência de combate, apenas os ucranianos a têm. Portanto, desse ponto de vista, analisar as possibilidades de integrar tanto as capacidades industriais ucranianas – testadas em combate – como as capacidades militares, representaria um valor acrescentado muito forte e muito significativo para o desenvolvimento das nossas capacidades de defesa europeias”.
Andrius Kubilius considera que a Ucrânia deve desempenhar um papel numa real União Europeia de Defesa. “Temos de analisar como criar um sistema de defesa mais abrangente, que vá além da União Europeia e que nos permita também superar problemas como o facto de alguns países, por enquanto, não concordarem com a adesão da Ucrânia à NATO. É por isso que estamos a trabalhar na ideia conhecida como União Europeia de Defesa. É nessa ideia que estamos a trabalhar”, concretiza.
O comissário lituano defende uma visão ousada que envolve a ratificação de um novo tratado pan-europeu e intergovernamental em matéria de defesa, que permita estabelecer uma espécie de rede de diferentes Estados-Membros, unidos para a defesa comum e “tendo como órgão de liderança o que designamos por Conselho de Segurança Europeu”, que seja “capaz de tomar decisões com base no princípio da votação por maioria, sem ser bloqueado por quem queira vetar tudo”.
Um instrumento que, a concretizar-se, “talvez pudesse também conter disposições claras sobre a possibilidade de criar um exército europeu”.
Além disso, esta seria uma “União Europeia de Defesa, onde, a par dos Estados-Membros da UE, poderíamos ter também o Reino Unido, a Noruega, a Ucrânia e, talvez, alguns outros países”.
Espaço
Astronautas da Artemis II contam "intensa" e "fenomenal" experiência de aterrar nave espacial
Em entrevista à cadeia de televisão norte-american(...)
Europeus na Lua?
Andrius Kubilius é o comissário europeu não apenas responsável pela defesa. O espaço também faz parte das suas competências. Na entrevista à Euranet Plus é questionado sobre as ambições espaciais da União Europeia, especialmente à luz do recente marco alcançado pela NASA com a missão Artemis II, e se entre essas ambições está a de ver, algum dia, astronautas europeus na Lua.
“Não devemos esquecer que alguns componentes muito importantes dessa missão Artemis II foram produzidos por europeus. E a nave espacial, a Orion, não seria capaz de chegar à Lua sem o sistema de propulsão europeu”, portanto “podemos orgulhar-nos de também termos feito parte dessa missão", começou por responder, para depois concretizar: “não posso prever quando é que os europeus, também como astronautas, irão chegar à Lua, mas estamos bastante ativos na exploração da Lua e talvez venhamos a expandir os nossos programas utilizando diferentes instrumentos robóticos”.
Kublius diz que os europeus “normalmente”, não são “muito bons nesse tipo de abordagem romântica”, de quererem ser os “primeiros a explorar novas fronteiras”.
No entanto, são “bons a desenvolver tecnologias de ponta para o desenvolvimento dessas fronteiras”. O foco principal da Europa é a engenharia, a precisão e os sistemas de longo prazo, e, diz o comissário lituano, produz frequentemente tecnologia de altíssimo nível, nomeadamente para a exploração lunar.
Assim, poderemos falar em missões com robots, em vez de missões tripuladas. “Penso que no futuro estaremos na Lua, talvez com uma abordagem europeia específica. Mas, sem dúvida, temos de compreender que uma era totalmente nova na exploração espacial começou com a missão Artemis II”.
- Produção de armamento na UE está muito abaixo da Rússia, diz comissário
- Portugal tem 24.517 militares, garante ministro da Defesa
- Líderes da UE vão discutir princípio de defesa mútua em caso de ataque
- Exército comum europeu? "Para criar uma força que não tem eficácia, mais vale ficar quieto”
- Vilnius em alerta. Parlamentares lituanos em abrigos subterrâneos e tráfego aéreo suspenso
- Cientista alerta que introduzir vida fora da Terra pode ameaçar outros planetas
- Star Wars. "Existe, de facto, uma guerra das estrelas"


















