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Ministra do Ambiente. "Negociações climáticas podem tornar-se mais fáceis devido à guerra"

12 mai, 2026 • José Pedro Frazão


Graça Carvalho recebeu em Lisboa o Comissário Europeu do Clima que defendeu mudanças na preparação da próxima Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas que se realiza em Novembro na Turquia.

A ministra do Ambiente está otimista em relação às negociações climáticas em tempo de crise energética. Numa conferência de imprensa, em Lisboa, esta terça-feira, na presença do comissário europeu do Clima, a ministra Maria Graça Carvalho disse que a guerra no Médio Oriente pode levar a mais entendimentos em vez de discórdias sobre o fim gradual dos combustíveis fósseis.

"Espero que as negociações sobre o clima, devido à guerra, se tornem mais fáceis, porque todos compreenderam que é importante sermos mais independentes face aos combustíveis fósseis. Pelo menos foi isso que senti em Portugal. Até mesmo aqueles que estavam mais relutantes em aceitar isso, estão agora convencidos de que este é o caminho a seguir", afirmou a ministra do Ambiente e Energia depois de uma reunião com o Comissário Europeu do Clima.

O processo multilateral de decisão em relação às alterações climáticas prossegue a caminho da COP31 na Turquia em novembro. Os negociadores têm bem presente a maratona negocial com diversos bloqueios que colocaram a Europa numa posição isolada no final da Conferência da ONU no Brasil, a COP30.

Wopke Hoekstra admite "enorme influência" da guerra nos parâmetros de sucesso" das negociações climáticas da próxima COP agendada para novembro na Turquia. "Isto é algo que não podemos escolher. Temos simplesmente de seguir em frente, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance", declarou o comissário europeu do clima.

Hoekstra, um dos líderes da negociação climática europeia, reconheceu que as conferências da ONU sobre Clima "nem sempre cumprem o prometido". Nesse sentido, o comissário afirmou que é preciso melhorar a forma como o processo é organizado.

"Há melhorias a fazer em termos de definição clara da agenda. Há coisas que podemos mudar na conceção das Conferências da ONU e tentar melhorar isso. Tentar centrar as COP mais na implementação, execução e concretização", defendeu Hoekstra, que elogiou a contribuição de Maria Graça Carvalho no processo negocial.

A ministra portuguesa do Ambiente e Energia destacou a importância das relações estreitas com o Brasil durante a COP30, sob a forma de "uma ligação bastante direta que ajudou o bloco europeu a encetar negociações informais".

Graça Carvalho assinalou a presença importante de estados lusófonos em diversos blocos regionais como Angola e Cabo Verde.

"África, as Caraíbas, o Pacífico, os chamados 'países ACP' representam quase 100 países. E a Europa deve estabelecer antecipadamente uma relação muito boa com eles. E essa é a forma de preparar a COP", argumentou Graça Carvalho.

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