Hélder Sousa Silva
Star Wars. "Existe, de facto, uma guerra das estrelas"
02 jul, 2026 • Pedro Mesquita
"Existe espionagem, existe uma forma ataque para a obtenção de informação no espaço", admite o social-democrata Hélder Sousa Silva. Este eurodeputado do PPE (Partido Popular Europeu) garante - em entrevista a Renascença - que "existem dados concretos" de que "satélites russos (nomeadamente) se têm aproximado mais perto do que o normal, que o aceitável, dos satélites europeus essencialmente com o objetivo de recolher informação".
"Proteger os olhos da Europa no céu: a segurança dos Satélites da UE". Foi este o tema da audição publica de especialistas em espaço e defesa, que acaba de ser promovida pelo PPE (Partido Popular Europeu).
Em entrevista à Renascença, o eurodeputado social-democrata Hélder Sousa Silva - um dos organizadores da iniciativa - admite que alguns satélites russos - "desses existem evidências claras" - têm-se aproximado "mais perto do que o normal, aceitável, dos satélites europeus".
Com que objetivo? "Na minha opinião, tem a ver essencialmente com a interceção das comunicações. Alguns dos satélites (europeus) particularmente a constelação GovSatCom (Governmental Satellite Communications), estão também ao serviço dos governos dos 27 Estados-membros, e faz todo o sentido obter informação sobre as comunicações transmitidas entre os governos dos países que integram a União Europeia."
A reação da UE, na leitura de Hélder Sousa Silva, terá de ser proactiva, e rápida. O problema, diz, "é que o processo que está neste momento instituído não garante o mínimo de celeridade".
E a questão é tanto mais alarmante se pensarmos que "os satélites estão a ser preparados para poderem servir de base a decisões na área da defesa, dentro de um ano e qualquer coisa".
Ou seja, o eventual acesso às transmissões por satélite de informação privilegiada será determinante nesta terceira década do século XXI em que a saga "Star Wars" - Guerra das Estrelas vai perdendo o estatuto de mera ficção.
Na leitura do eurodeputado Hélder Sousa Silva, "existe espionagem, existe uma forma também de ataque para a obtenção de informação no espaço". Conclusão: existe, de facto, uma Guerra das Estrelas, uma guerra de espaço, e os dados diários indicam-nos que ela é real. Portanto, passámos do mundo virtual do Star Wars, para o mundo real do século XXI, da terceira década do século XXI, em que isso é uma realidade.
Afinal o que é que se está a passar no espaço?
Bom, o que está a acontecer no espaço é que cada vez se investe mais, cada vez se lançam mais satélites, mas o seu controlo carece de ser muito melhorado. Os satélites europeus, das várias constelações que existem, correm sérios riscos: riscos físicos e riscos de interceção em termos de comunicação... e também de alteração da informação que prestam aos seus clientes.
Riscos por parte de quem? São satélites? É o quê? E o que é que fazem?
Existem dados concretos que nos dizem que, por exemplo, satélites russos se têm aproximado mais perto do que o normal, que o aceitável, dos satélites europeus. Essencialmente com o objetivo de recolher informação que é veiculada através desses satélites em termos de radiofrequência.
Um dia destes pode haver, inclusivamente, o risco físico de colisão e de deixar um satélite totalmente inoperacional.
Já está a acontecer, neste momento, a interceção de comunicações dos satélites europeus por parte de satélites russos, nomeadamente?
É evidente. Temos dados objetivos que nos levam a chegar a essa conclusão e, por isso mesmo, o Parlamento Europeu, preocupado que está com a situação, decidiu chamar os especialistas para se pronunciarem sobre a segurança das várias constelações europeias face às ameaças reais que hoje estão a sofrer.
Mas o que é que pode ser feito? De que forma é que se pode evitar este tipo de ataques?
Agir com proatividade e com uma cadeia, se quisermos, de governança que hoje não existe. Como e quem é que decide, por exemplo, desligar da nossa rede um satélite, em caso de manifesta interferência? A conclusão que se chegou é que o processo que está neste momento instituído não garante o mínimo de celeridade. E quando se chega à conclusão que tem de se ouvir o Conselho Europeu, que se tem que ouvir também Kaja Kallas, a vice-Presidente da Comissão Europeia (e chefe da diplomacia da União Europeia), e que se tem que ouvir meia instituição, quer dizer que só ao fim de um mês teremos uma decisão...decisão essa que deveria ter sido tomada em minutos, na pior das hipóteses numa hora. E por isso, a arquitetura do sistema europeu no que diz respeito à governança e à decisão relativamente a situações urgentes e emergentes, tem de ser completamente alterada.
Voltando atrás, como que o objetivo é que são feitos estes ataques, chamemos-lhe assim, por parte de satélites estrangeiros, nomeadamente russos?
Eu falo primariamente de russos porque desses existem evidências claras, mas é evidente que outros concorrentes, como China, os próprios Estados Unidos, de alguma forma sentem que o investimento e o aumento das constelações europeias (e satélites) lhes têm vindo, também, a tirar protagonismo.
Mas qual que é o objetivo então é que são feitos esses ataques, essa interceção de comunicações?
Bom, os satélites neste momento têm dois objetivos concretos: há um serviço comercial, em termos de comunicações e georreferenciação e estão, também, a ser trabalhados para um serviço de segurança e defesa. Mas o objetivo último, na minha opinião, tem a ver essencialmente com a interceção das comunicações. Alguns dos satélites (europeus) estão ao serviço também, particularmente a constelação GovSatCom, ao serviço dos governos dos 27 Estados-membros. E faz todo o sentido obter informação sobre o que se passa e quais são as comunicações transmitidas entre os governos dos países que integram a União Europeia, e intragovernos dos Estados-Membros. Portanto, há aqui uma ação, se quisermos, de espionagem relativamente às decisões políticas europeias.
Em última análise, os satélites, estão a ser preparados para poderem servir de base para decisões na área da defesa, dentro de um ano e qualquer coisa. E aqui entra também em jogo a obtenção de dados sobre o adversário. Neste campo, os satélites russos têm estado mais ativos do que nunca. Estão a preparar-se, antecipadamente, para poderem fazer escutas aos satélites europeus a partir das constelações (de satélites) que já hoje têm no espaço.
O que me está a dizer remete-me para o cinema, para o lendário "Star Wars", a Guerra das Estrelas. É esse o risco que estamos a correr?
Eu diria que não é o risco, é a realidade que estamos a viver. Neste momento, de facto, existe espionagem, existe uma forma também de ataque para a obtenção de informação no espaço, ou seja, dentro das constelações de satélites que ocupam a nossa área espacial. E por isso eu posso dizer também, na minha opinião, que existe, de facto, uma guerra das estrelas, uma guerra de espaço, que os dados diários nos indicam que ela é real. Portanto, passámos do mundo virtual do Star Wars, para o mundo real do século XXI, da terceira década do século XXI, chamemos-lhe assim, em que isso é uma realidade.
Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus.
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