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Caso de lepra confirmado na Madeira. Há motivos para alarme?

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Caso de lepra confirmado na Madeira. Há motivos para alarme?

19 abr, 2023 • André Rodrigues


O Serviço de Saúde da Região Autónoma confirmou a existência de um caso de lepra na ilha da Madeira. No entanto, a doença foi contraída no Brasil. Ao contrário do que se pensa, a lepra não é altamente contagiosa e os tratamentos previstos são bastante eficazes.

Esta terça-feira foi confirmado um caso de lepra na Madeira. De acordo com a Direção-Regional de Saúde da Região Autónoma, trata-se de um caso importado do Brasil, de uma mulher que vive na ilha portuguesa desde janeiro do ano passado.

Não se trata, portanto, de um caso de lepra contraído em Portugal, uma vez que o contágio ocorreu no Brasil. Todos os contactos próximos já foram identificados e a situação está a ser acompanhada pelas autoridades de saúde locais.

Há motivos para preocupação?

Aparentemente, não. Tal como referido, todos os contactos mais próximos desta mulher brasileira já foram identificados e estão a ser monitorizados pelo Serviço de Saúde da Madeira.

Importa sublinhar que a doença de Hansen - vulgarmente conhecida como lepra - não se propaga facilmente. Ao contrário do que se julga, não é uma doença altamente contagiosa, pelo que não implica isolamento.

Além disso, segundo os especialistas, o tratamento é bastante eficaz e a profilaxia preventiva só se recomenda no caso de contactos muito próximos e prolongados, como, por exemplo, as pessoas que coabitem com a pessoa infetada.

Mas como se transmite a lepra?

Sendo uma doença infeciosa, ela transmite-se através de uma bactéria. O trato respiratório parece ser a via mais provável de transmissão.

Contudo, a maior parte das pessoas expostas ao M. leprae - assim se chama a bactéria responsável - não contrai a doença, o que sugere que o seu desenvolvimento depende de outros fatores. Desde logo, a resposta imunitária - capacidade das nossas próprias defesas para responder à invasão bacteriana -, a predisposição genética ou ainda fatores ambientais.

O período de incubação da lepra é muito lento - entre dois e 12 anos -, mas vários estudos científicos indicam que, em média, o tempo de incubação desta doença é de cinco anos.

Ou seja, o estigma social acaba por ser pior do que a própria doença?

Pode dizer-se que sim. Aliás, no caso português, importa referir que a lepra foi erradicada na década de 1970. Em 2018, foram identificados apenas cinco casos em território nacional, mas é sempre vista como uma doença associada a contextos de pobreza.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que, todos os anos, ocorram cerca de 200 mil novos casos em todo o mundo.

É uma doença muito rara na Europa. Aliás, todos os casos notificados atualmente em solo europeu são importados de regiões onde a doença continua a ser endémica, como, por exemplo, o Sudeste Asiático, África e América do Sul, sobretudo o Brasil, de onde chegou este caso identificado na Madeira.
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