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Cancro infantil. Por que é que Portugal tem das maiores taxas da UE?
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Cancro infantil. Por que é que Portugal tem das maiores taxas da UE?

04 fev, 2025 • André Rodrigues


Portugal investe pouco na investigação do combate ao cancro infantil.

Portugal tem a maior taxa de cancro infantil na União Europeia.

É o que revela um estudo da OCDE e da Comissão Europeia, esta terça-feira.

O Explicador Renascença fornece mais detalhes.

O que dizem os números?

São números relativos a 2022 e confirmam que Portugal apresenta a mais alta taxa de incidência de cancro em crianças e adolescentes até aos 15 anos.

De acordo com os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e da Comissão Europeia, nesse ano foram diagnosticados 245 casos de cancro pediátrico em Portugal, muito acima da média da União Europeia: Portugal apresenta 19 casos por 100 mil crianças, enquanto a média da UE é de 14 casos por 100 mil crianças.

Outro dado relevante: os rapazes têm incidências ligeiramente superiores às das raparigas. Mas, tanto num caso, como no outro, as taxas superam em 30% a média da União Europeia.

Porquê?

De acordo com o diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, uma parte significativa desta taxa elevada deve-se aos casos provenientes dos países africanos de expressão portuguesa.

José Dinis esclarece, à Renascença, que estes são casos reportados como sendo portugueses.

Portanto, muitos diagnósticos feitos em crianças desses países entram nas estatísticas de Portugal, o que acaba por contribuir para esta elevada taxa de cancro pediátrico.

Portugal investe no combate ao cancro infantil?

Esse é outro problema. Apesar dos números, a verdade é que Portugal investe pouco na investigação nesta área.

Para se ter uma ideia, entre 2010 e 2022, houve apenas 22 ensaios clínicos com crianças e jovens, o que representa apenas 5% do total de ensaios realizados na União Europeia nesse período.

É um número significativamente inferior ao de países com uma população semelhante à portuguesa. Exemplo disso é a Chéquia, que registou 14% dos ensaios clínicos com crianças e jovens.

O que mais revelam os números?

Revelam assimetrias, sobretudo na mortalidade. Em 2021, a taxa de óbitos foi quase duas vezes mais alta nos homens do que nas mulheres.

Uma diferença que se explica com a prevalência de três tipos de cancro altamente mortais e que afetam, sobretudo os homens: pulmão, cólon e reto, e estômago.

Apesar da mortalidade por cancro ter diminuído 8% entre 2011 e 2021, a redução foi inferior à média da União Europeia, que foi de 12%.

Quais são as exceções?

Há uma boa notícia, sim. Portugal tem conseguido uma redução significativa na mortalidade de alguns tipos de cancro: bexiga, colo do útero, colorretal e próstata. Nestes casos, a mortalidade diminuiu mais rapidamente do que a média da União Europeia.

Do lado oposto, a mortalidade por cancro do pulmão tem evoluído de forma diferente. E, no caso das mulheres, verifica-se um aumento da mortalidade próximo dos 23%, o que parece refletir uma alteração de padrões nos comportamentos de risco, sendo que o tabagismo é o principal fator.

Quais são as previsões para o futuro?

Em termos gerais, são pouco animadoras. E aqui já não falamos só sobre cancro pediátrico.

Este estudo da OCDE e da Comissão Europeia sugere que a incidência do cancro em Portugal deverá aumentar 20% até 2040, um crescimento que supera a média da União Europeia, que é de 18%.

Para o período de 2022 a 2030, a previsão é de um aumento de 12% dos casos, enquanto a média da União Europeia é de 9%.

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