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Estados Unidos cancelam apoios às universidades portuguesas. O que se passa?
11 abr, 2025 • André Rodrigues
Em Portugal, os chamados "espaços americanos" ou "american corners", financiados pelo Governo norte-americano e que a Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa descreve como "centros de informação e cultura", são seis e funcionam todos em instituições universitárias.
Os Estados Unidos cancelaram apoios às universidades portuguesas. A continuação do programa "American Corner" estava dependente da resposta dos reitores a um questionário da embaixada norte-americana em Portugal.
Antes de mais, que tipo de apoio é este?
Apoio financeiro, essencialmente. O programa "American Corner" funciona em várias universidades portuguesas há mais de uma década. O objetivo é promover a comunicação da ciência e aproximar as culturas americana e portuguesa.
Não é um financiamento muito elevado, mas tem sido importante para as universidades no desenvolvimento de projetos e de intercâmbio cultural e científico com os Estados Unidos.
Que tipo de projetos?
Por exemplo, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, esta parceria com o "American Corner" concede uma verba anual para eventos e atividades académicas e ainda para a compra de equipamentos tecnológicos de última geração.
O programa financiou ainda dois estúdios: um de televisão e outro de rádio preparados para a produção de conteúdos e ainda uma sala de conferências para palestras e workshops.
Mas há outras entidades abrangidas por este financiamento: o Instituto Superior Técnico, a Universidade Nova de Lisboa e, ainda, as Universidade de Aveiro e dos Açores. Todas elas recebem ajuda financeira deste programa da administração norte-americana que pode estar em causa.
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E tudo por causa de um questionário. Que tipo de questionário?
Um questionário ideológico com 36 perguntas. Estas instituições com programas financiados pelos Estados Unidos têm de responder sobre ideologia de género, ligações a partidos comunistas, influências malignas da China, eventuais ligações a grupos terroristas e financiamentos recebidos de vários países como Rússia, Cuba ou Irão.
No início desta semana, as universidades receberam uma comunicação inesperada da Embaixada dos Estados Unidos, anunciando o corte do financiamento, se não respondessem a este questionário. E algumas instituições já perderam mesmo esses apoios.
Como reagem os reitores das universidades?
Naturalmente com desagrado. O reitor da Universidade de Aveiro, que é também presidente do Conselho de Reitores, fala em “intromissão intolerável” na autonomia dos estabelecimentos de ensino superior.
De resto, a Universidade de Aveiro é uma das que recebe financiamento do "American Corner". O reitor Paulo Jorge Ferreira reconhece o direito dos financiadores de decidirem se querem continuar ou não com este apoio, mas considera inaceitável que as universidades sejam forçadas a responder a questões que comprometem a sua independência académica.
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