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O que acontece ao preço do petróleo se for bloqueado o Estreito de Ormuz?

O que acontece ao preço do petróleo se for bloqueado o Estreito de Ormuz?

23 jun, 2025 • André Rodrigues


Se o bloqueio do Estreito de Ormuz avançar, podemos contar com um aumento ainda mais acentuado do preço dos combustíveis, com consequências económicas em todo o mundo.

O Irão recomenda o bloqueio do estreito de Ormuz. É um dos pontos estratégicos mais importantes do mundo. Por ali passa um quinto do petróleo comercializado em todo o mundo.

Vai mesmo haver um aumento do preço do petróleo?

Do petróleo e dos combustíveis. Isto porque o Estreito de Ormuz é um dos pontos estratégicos mais importantes do mundo. Por ali passam 20% do comércio de petróleo mundial e 80% do gás natural.

Para que se tenha uma ideia, entre 2022 e o mês passado, circularam entre 18 milhões e 21 milhões de barris de crude por dia.

Ou seja, qualquer bloqueio terá como consequência uma redução da oferta e, por essa via, um enorme impacto económico.

Já hoje vai haver um aumento do preço dos combustíveis. Está relacionado com esta crise mais recente?

Não, de imediato. Embora as tensões no Médio Oriente estejam a contribuir para uma maior incerteza nos mercados. Tem-se assistido a uma subida do barril do petróleo. Atualmente, o Brent - que é a referência para o mercado europeu - está próximo dos 77 dólares. Há um mês estava nos 64 dólares. Esta segunda-feira, o gasóleo sobe oito cêntimos - é a maior subida em três anos - e a gasolina aumenta três cêntimos, mas isso está relacionado com a subida sustentada da cotação do crude.

Se o bloqueio do Estreito de Ormuz avançar, já sabemos com o que podemos contar: um aumento ainda mais acentuado do preço dos combustíveis, com consequências económicas em todo o mundo.

Mas, afinal, quem é que depende do Estreito de Ormuz?

Os principais exportadores de petróleo, como a Arábia Saudita, o Irão, o Kuwait, o Iraque e os Emirados Árabes Unidos, que utilizam o Estreito de Ormuz para escoar petróleo para a Ásia.

É possível contornar o Estreito?

Sim, mas com uma capacidade muito limitada. Os Emirados Árabes e a Arábia Saudita poderiam redirecionar 2,6 milhões de barris por dia, que correspondem a um décimo da capacidade do Estreito de Ormuz. Portanto, isso não iria resolver o problema da escassez de energia e de matérias-primas.

O Irão alguma vez encerrou o Estreito de Ormuz?

Chegou a ameaçar, mas nunca aconteceu. Houve vários episódios de tensão na região, sobretudo nas décadas de 70 e 80 do século passado. Em 1988, os Estados Unidos abateram um avião iraniano com 290 pessoas a bordo e, na altura, o regime do ayatollah Khomeini chegou a ameaçar bloquear o Estreito de Ormuz como retaliação, mas nunca chegou a acontecer. Mais recentemente, houve apreensões de navios e ameaças por parte do Irão. Mas nunca concretizadas. Veremos o que acontece agora, mas uma coisa é certa: os mercados nunca reagem bem a estas incertezas. E, por isso, o mais provável é que assistamos a um período prolongado de subida de preços, tanto do petróleo, como dos combustíveis.

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