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Benfica pede suspensão da centralização dos direitos televisivos. O que é que isto significa?

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Benfica pede suspensão da centralização dos direitos televisivos. O que é que isto significa?

10 jul, 2025 • Sérgio Costa


O Benfica requer a "suspensão imediata" do processo de centralização de direitos televisivos do futebol profissional, cuja entrada em vigor está prevista para 2028, por considerar que "os pressupostos que deveriam fundamentar essa transição permanecem por cumprir". Os encarnados anunciam também a suspensão do seu lugar de gerência na Liga Centralização "até existir uma alteração de rumo".

O Benfica pediu formalmente a suspensão do projeto de centralização dos direitos audiovisuais das ligas profissionais de futebol. Vamos perceber as razões do Benfica.

Para já, que projeto é este?

É um projeto para regulamentar os direitos das transmissões televisivas, ou seja, definir e colocar no papel os valores que os clubes das ligas profissionais, I e II Ligas, têm a receber pelas transmissões dos seus jogos. Outra questão importante é a contratualização coletiva desses direitos, ou seja, haver uma fórmula comum para a contratação de direitos

Porquê coletiva? Hoje é possível um clube negociar individualmente?

Sim, cada clube negoceia de forma individual os direitos com determinado operador o que leva até o Benfica a poder transmitir os jogos em casa no seu próprio canal. Já o Moreirense contratualizou com a TVI a transmissão dos seus jogos em casa. A ideia é haver uma regra clara e coletiva para este efeito

E quais serão as vantagens dessa centralização dos direitos?

O objetivo principal é garantir uma receita mais igualitária para todos os clubes.

Já em 2024, o então diretor executivo da Liga, Rui Caeiro, dizia à RR que esse objetivo passava por garantir que metade do valor arrecadado pela venda centralizada dos direitos audiovisuais da Liga deve ser distribuído de forma similar, enquanto a outra metade será dividida com base no “mérito desportivo” e na “implantação social".

E essa ideia já está fechada?

Ainda não. A Liga tem até ao final da próxima época desportiva, ou seja, até junho de 2026, para definir um modelo. Este processo teve origem num decreto-lei de fevereiro de 2021, ainda do governo de António Costa, que definia a regulamentação do modelo de comercialização dos direitos de transmissão. A partir daí foi dado um prazo de cerca de 5 anos para a conclusão dos trabalhos pela Liga e pela Federação Portuguesa de Futebol

E agora, voltando ao propósito da conversa, o Benfica pede a suspensão. Porquê?

Diz que o modelo previsto não satisfaz as exigências do futebol atual. Pede por isso a suspensão do projeto até existir uma alteração de rumo. Considera que o mercado de direitos televisivos é muito concentrado, porque falta, diz, verdadeira concorrência entre operadores, sendo ainda pouco efetivo o combate à pirataria, que causa perdas de receita que seriam destinadas aos clubes

E a Liga aceita essa reflexão pedida pelo Benfica?

A Liga Portugal já reafirmou em comunicado que “a Centralização dos Direitos Audiovisuais é para avançar, apesar de “registar as preocupações. Por isso diz estra a negociar com vários operadores tendo em conta essas reservas

E se não houver acordo entre os clubes?

Uma das possibilidades passa pela intervenção direta do governo e o modelo ser definido por decreto-lei. Veremos o que acontece daqui a um ano

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