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França. Por que é que o governo pode cair esta segunda-feira?
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França. Por que é que o governo pode cair esta segunda-feira?

08 set, 2025 • André Rodrigues


O primeiro-ministro francês não tem uma maioria absoluta que o sustente no parlamento.

A França pode estar a caminho de uma nova crise política.

O Governo submete-se esta segunda-feira a um voto de confiança, depois de ter anunciado que quer cortar 44 mil milhões de euros no orçamento do próximo ano.

O Explicador Renascença esclarece.

Isto é suficiente para fazer cair um executivo?

No caso francês, pode ser. Este voto de confiança anunciado pelo primeiro-ministro François Bayrou surge depois da apresentação de uma proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano que prevê o tal corte de 44 mil milhões de euros.

Problema: o primeiro-ministro francês não tem uma maioria absoluta que o sustente. Por isso, apesar dos esforços, dificilmente François Bayrou conseguirá convencer a oposição a apoiá-lo.

Logo, se o voto de confiança não passar, sem maioria absoluta, Bayrou tenta convencer a oposição a apoiá-lo, mas enfrenta forte resistência.

Porquê tanta resistência da oposição?

Por causa das medidas de austeridade propostas pelo governo francês. O plano orçamental prevê cortes em serviços públicos e congelamento de pensões, pelo que foi muito mal recebido pela população e rejeitado por vários partidos, que acusam o governo de impor sacrifícios, sem que haja consenso na sociedade francesa.

Perante estes argumentos, o primeiro-ministro francês defende que cabe ao Parlamento decidir e não “a desordem das ruas”.

Quais são os cenários?

Pode ser aprovado o voto de confiança e o governo continua em funções - algo que dificilmente acontecerá, atendendo às circunstâncias. Portanto, se François Bayrou não conseguir apoio suficiente, terá de se demitir, abrindo caminho para uma nova crise governamental.

Importante notar que, a concretizar-se, será o segundo colapso político em menos de um ano, depois da queda do governo anterior de Michel Barnier, também por não conseguir aprovar o orçamento.

Há mais de um ano que a França vive em clima de tensão política, desde que Macron dissolveu a Assembleia Nacional, após uma derrota eleitoral para a extrema-direita.

O Parlamento francês está fragmentado em três blocos sem maioria clara. Uma instabilidade que ameaça paralisar o país e provocar turbulência financeira.

Isso pode afetar Portugal?

Pode. Basta lembrar que a França é o segundo maior destino das exportações portuguesas e é o quarto maior investidor estrangeiro em Portugal.

De resto, a exposição à crise francesa pode resultar em perdas superiores a 30 mil milhões de euros para a economia portuguesa.

Acresce o risco de instabilidade na Zona Euro. A crise em França já provocou um aumento das taxas de juro para máximos de 14 anos, o que pode contagiar os mercados europeus.

Logo, também o financiamento de Portugal juntos dos mercados.

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