Explicador Renascença
As respostas às questões que importam sobre os temas que nos importam.
A+ / A-
Arquivo
Mais de mil médicos tarefeiros ameaçam paralisar urgências. O que está em causa?
Ouça aqui o Explicador.

explicador Renascença

Mais de mil médicos tarefeiros ameaçam paralisar urgências. O que está em causa?

06 nov, 2025 • André Rodrigues


Centenas de médicos em regime de prestação de serviços poderão recusar-se a trabalhar caso o Governo publique o diploma que reduz o valor pago por hora.

Os hospitais estão preocupados com a eventualidade de uma paralisação dos médicos tarefeiros. Pode estar em causa o funcionamento das urgências do SNS.

Mas o que é um médico tarefeiro?

É um profissional que presta serviços no SNS, mas não tem um contrato. É pago à hora.

Em Portugal, essa remuneração varia entre 40 e 100 euros por hora, sendo que o valor é mais elevado nas situações nas regiões onde há mais carência de médicos, ou nos casos em que há falta de profissionais em determinada especialidade médica.

Ganham mais ou menos do que um médico contratado?

Ganham mais. Um médico com contrato no SNS recebe, no máximo, 36 euros por hora. Portanto, apesar de parecer - à partida - uma relação laboral precária, a verdade é que os tarefeiros recebem mais do que os médicos contratados.

Daí que o Governo tenha aprovado em Conselho de Ministros uma redução dos valores pagos aos clínicos pagos à hora, para os aproximar dos médicos contratados.

É também uma forma de evitar a dependência do SNS em relação aos médicos em prestação de serviço.

Então, mas por que protestam os médicos tarefeiros?

Queixam-se que a redução do valor da hora pago neste regime compromete a atratividade do regime de prestação de serviços. Daí esta ameaça de paralisação geral das urgências do Serviço Nacional de Saúde, caso o decreto-lei do Governo seja aprovado.

Em vários serviços de urgência, os médicos em regime de prestação de serviço asseguram mais de metade dos turnos.

Por isso, a confirmar-se este protesto, o impacto pode ser muito significativo, porque estão em causa três dias de paragem que podem pôr em causa o funcionamento dos serviços, sobretudo no período crítico das festas entre o Natal e o Ano Novo.

Ora, com as escalas já definidas para o final do ano, qualquer retirada de disponibilidade pode levar à rutura dos serviços.

De resto, os administradores hospitalares já alertaram para esse risco.

O que diz a Ordem dos Médicos?

Reconhece que os médicos tarefeiros estão a ser injustamente acusados de quererem manter o SNS na sua dependência. Se há casos em que mais de metade dos turnos de urgência são assegurados por estes profissionais, isso é um sinal da falta de médicos nos quadros.

Contudo, o bastonário da Ordem dos Médicos já disse que discorda desta forma de luta. Carlos Cortes pede aos profissionais que façam uma reflexão ética e deontológica que coloquem a sua prioridade nos cuidados aos doentes.

Já houve protestos deste género no passado?

Sim. Há dois anos, o movimento “Médicos em Luta” provocou graves constrangimentos ao recusar horas extra além das obrigatórias. Em muitos casos, as vias verdes coronária e do AVC foram encerradas, numa situação que se prolongou durante meses.

Esta ameaça de protesto dos tarefeiros traz de volta esse receio, porque as consequências podem ser ainda mais graves, porque - a acontecer - essa paragem de três dias será no final do ano que já é, tradicionalmente, uma altura difícil.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Nunca
    06 nov, 2025 Cáat 08:21
    Requisição civil ou serviços mínimos de 100%. Recuar frente a esses comerciantes de saúde é que nunca!