11 nov, 2025 • Sérgio Costa
Está em curso mais uma Conferência Mundial do Clima, promovida pelas Nações Unidas, conhecida como COP.
O Explicador Renascença esclarece tudo.
COP é o acrónimo para Conferência das Partes que assinaram o tratado climático de 1992. O tratado, denominado Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, comprometeu os países a trabalharem em conjunto para combater as alterações
Ao longo dos anos, as cimeiras anuais tornaram-se um importante centro de discussões geopolíticas e financeiras, projetando a ideia de uma "aldeia global" que acolhe todos os países, grupos da sociedade civil, empresas e investidores.
A COP30 é a primeira cimeira em que se reconhece o fracasso em atingir o objetivo anterior de impedir o aquecimento acima dos 1,5 graus Celsius.
Por outro lado, esta cimeira acontece depois de os EUA terem ameaçado abandonar o acordo de Paris sobre as alterações climáticas. Os especialistas entendem por isso que esta cimeira é crucial, onde devem mesmo ser assumidas medidas concretas.
O Brasil optou por sediar a COP30 na cidade amazónica de Belém, na esperança de realçar simbolicamente a importância das florestas mundiais, que continuam a ser alvos da exploração madeireira e de indústrias como a mineração, a agricultura e a extração de combustíveis fósseis.
A maioria dos governos nacionais envia equipas para as negociações. Algumas das vozes mais proeminentes incluem a Aliança dos Pequenos Estados Insulares, que enfrenta uma ameaça existencial devido à subida do nível do mar, e o bloco G77+China dos países em desenvolvimento.
São também influentes o Grupo África e o Grupo BASIC, composto pelo Brasil, África do Sul, Índia e China. Perante o abandono dos EUA, a China, o Brasil e outros países assumiram a responsabilidade de colmatar esta lacuna.
Costuma haver intensa atividade, com ativistas a tentarem chamar a atenção para as suas causas, enquanto as empresas pressionam por mudanças nas políticas públicas e procuram acordos comerciais.
Durante os primeiros dias, os negociadores dos países definem as suas prioridades e avaliam as posições uns dos outros. Os temas começam a surgir à medida que os países e as empresas anunciam planos de ação e promessas de financiamento para projetos.
Na segunda semana, os negociadores são geralmente acompanhados pelos ministros nacionais para negociar as decisões finais, incluindo detalhes jurídicos e técnicos. É desta intensa negociação que surge o anúncio dos compromissos
É ainda incerto. A expectativa é que a cimeira contribua para um avanço nas negociações climáticas internacionais, com a definição de metas mais ambiciosas e a avaliação do cumprimento do Acordo de Paris.
São esperados avanços na transição energética, na proteção da Amazônia, na gestão de florestas e oceanos, na agricultura sustentável e no financiamento para adaptação climática. O grande objectivo é passar do discurso à ação.