12 nov, 2025 • André Rodrigues
A proibição de telemóveis nas escolas volta a estar na ordem do dia.
Desde o início deste ano letivo que está proibida a utilização de telemóveis nas escolas até ao 6.º ano. Mas pode haver mudanças.
O Explicador Renascença esclarece.
É uma hipótese. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, faz um balanço positivo das restrições atualmente em vigor. Há escolas que já estão a aplicar esta proibição até ao 9.º ano de escolaridade - portanto decidiram ir além daquilo que está na lei.
Em declarações à Renascença, na Web Summit Lisboa, Fernando Alexandre sublinha que a proibição de telemóveis está a contribuir para melhorar o ambiente escolar e facilitar aprendizagens. Os alunos estão mais focados nas aulas e há menos conflitos relacionados com o uso de dispositivos.
Isso vai depender de uma avaliação global das regras atualmente em vigor. Fernando Alexandre evita precipitações. Diz que prefere basear as suas políticas em estudos.
Portanto, os resultados da proibição dos telemóveis nas escolas vão ser analisados para, num momento posterior, se decidir vão generalizar-se a todas as escolas e níveis de ensino.
No entanto, o ministro da Educação assegura que qualquer decisão a esse nível será gradual e pedagógica, envolvendo alunos, professores e as famílias.
O ministro da Educação revela que o Governo está a preparar uma estratégia para introduzir Inteligência Artificial na Educação, a apresentar no primeiro semestre de 2026.
A ideia é integrar ferramentas de IA desde o ensino básico até ao superior, transformando métodos de ensino e aprendizagem para tirar partido das novas tecnologias.
Fernando Alexandre não avança medidas concretas para mitigar os riscos da inteligência artificial nas escolas.
Para já, foi criado um grupo de trabalho para definir uma estratégia digital e de IA na Educação para avaliar em que momentos e de que forma é que a tecnologia pode ser usada para potenciar as aprendizagens, garantindo - e este é um ponto crucial - que não compromete igualdade de oportunidades, desde logo porque o acesso à tecnologia não é igual em todo o país.
Esse é outro ponto. É preciso dar formação e contratar mais professores, porque 60% dos docentes têm mais de 50 anos.
Portanto, o objetivo será ter, no futuro, um corpo docente mais familiarizado com estas ferramentas.
E, finalmente, a introdução da Inteligência Artificial será sempre acompanhada de mudanças nos métodos de ensino e aprendizagem para que os alunos possam desenvolver o pensamento crítico, sem ficar excessivamente dependentes da tecnologia.