17 nov, 2025 • André Rodrigues
O maior porta-aviões do mundo chegou ao Mar das Caraíbas. Os Estados Unidos dizem que o objetivo é apoiar as operações de combate ao tráfico de droga.
A verdade é que isto acontece numa altura de tensão crescente com a Venezuela.
O Explicador Renascença esclarece.
A chegada do porta-aviões USS Gerald Ford ao mar das Caraíbas é o mais recente episódio de uma tensão que tem vindo a aumentar. Estamos a falar do navio mais avançado da marinha norte-americana. Washington assume que esta missão está inserida na estratégia de combate ao narcotráfico, mas o histórico de relações com a Venezuela torna esta movimentação militar particularmente simbólica: trata-se de uma demonstração de poder numa região onde a Venezuela mantém forte influência e onde os EUA têm interesses estratégicos, sobretudo ligados ao petróleo e também à estabilidade política.
Nas últimas semanas, as forças norte-americanas realizaram cerca de 20 ataques aéreos contra embarcações acusadas de transportar narcóticos. Mais de 70 pessoas morreram.
Há um risco elevado, embora os Estados Unidos neguem ter planos de invasão. Pelo menos, oficialmente.
A administração Trump afirma que não quer entrar em guerra com a Venezuela, mas acusa o governo de Nicolas Maduro de liderar um cartel de droga e mantém operações militares agressivas.
Na resposta, a Venezuela acusa Washington de usar o narcotráfico como pretexto para uma intervenção militar na região, com o objetivo de derrubar o regime.
No terreno, o exército venezuelano está em alerta máximo para um eventual cenário de ataque norte-americano.
Desde logo, uma crise de larga escala em toda a América Latina. A Venezuela faz fronteira com países como a Colômbia ou Brasil, o que significa que qualquer conflito armado poderia rapidamente ter consequências nesses países.
Por outro lado, a Venezuela já enfrenta dificuldades económicas e sociais profundas. Uma guerra agravaria a escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, levando a milhões de novos refugiados em direção aos países vizinhos.
Finalmente, há também o risco de aumento da violência interna, com milícias e grupos armados, podendo deixar o país à beira de uma guerra civil.
Oficialmente, Moscovo nega que a Venezuela tenha solicitado apoio militar direto, mas coloca-se do lado de Nicolas Maduro, apelando à comunidade internacional para que condene o que diz serem “ações provocatórias” por parte dos Estados Unidos.
Ou seja, a Rússia procura posicionar-se como uma espécie de contraponto à influência política e diplomática dos Estados Unidos na América Latina que volta a ser palco de disputas de influência entre a Rússia e os Estados Unidos.
Já assim foi no tempo da Guerra Fria. E agora repete-se.