20 nov, 2025 • Anabela Góis
A Ryanair vai encerrar todos os voos para os Açores a partir de março de 2026. Após dez anos de operações, o Governo Regional dos Açores recebeu a notícia desta quinta-feira com surpresa.
A Aeroportos de Portugal (ANA) criticou a companhia aérea irlandesa de baixo custo e adiantou que as conversas mais recentes apontavam a um reforço da oferta para o aeroporto de Ponta Delgada, contrariando as negociações. Mas porquê esta mudança?
O Explicador Renascença esclarece.
A Ryanair não quer dar explicações mas, em comunicado, disse que decidiu sair dos Açores devido às elevadas taxas aeroportuárias.
A somar, a empresa queixou-se da inação do Governo português, que alegadamente aumentou as taxas de navegação aérea em 120% depois da pandemia e introduziu uma taxa de viagem de dois euros, numa altura em que outros países da União Europeia estão a abolir taxas de viagem para garantir o crescimento de capacidade.
A companhia irlandesa argumentou que "infelizmente, o monopólio da ANA não tem qualquer plano para aumentar a conectividade de baixo custo com os Açores”.
A solução? Interromper o serviço e realocar os aviões que faziam a ligação ao arquipélago para “aeroportos de menor custo noutros pontos” da Europa.
Todos os voos de e para São Miguel a partir de dia 29 de março vão ser cancelados, e com destino à ilha Terceira a partir de dia 22 de março. Ou seja, já não é possível fazer marcações no site da companhia aérea para depois dessas datas.
A Ryanair tem, atualmente, quatro rotas para os Açores, entre os aeroportos de Lisboa e Porto para Ponta Delgada, com duas frequências semanais cada, e para as Lajes, com dois voos por semana de Lisboa e três do Porto.
Os passageiros que já tinham bilhetes comprados para depois de março foram notificados e receberam "opções para alterar o voo sem custos adicionais ou solicitar um reembolso", adiantou a companhia aérea.
Numa nota enviada à imprensa, a concessionária dos aeroportos diz-se surpreendida, porque as conversas recentes com a companhia irlandesa apontavam no sentido de aumentar, e não reduzir, a sua oferta de voos para Ponta Delgada.
O grupo, detido pela francesa Vinci, também contesta o argumento dos custos dizendo que as taxas aeroportuárias em vigor nos Açores, não só não são alteradas desde 2015, como a Ana não propôs qualquer aumento para 2026.
Transportes
A companhia aérea de baixo custo encerra operação (...)
A secretaria regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas explicou que este é um "comunicado extemporâneo" que contraria – tal como refere a ANA Aeroportos – intenções anunciadas pelo administrador da companhia.
As autoridades açorianas reconhecem, no entanto, que há "questões alegadamente relacionadas com taxas aeroportuárias e ambientais" (as designadas ETS) que estão a ser debatidas, mas que são "alheias à Região".
Já o presidente da Visit Azores, que é responsável pela promoção turística da região, diz que o processo não está fechado.
Luís Capdeville Botelho reduz o anúncio da Ryanair a uma “forma de pressão negocial” sobre a ANA e o Governo da República, relembrando que no inverno em 2023, quando a companhia de baixo custo reduziu 65% da sua operação nos Açores, houve um “crescimento de dormidas e hóspedes”.
Porém, o presidente a Associação de Alojamento Local, João Pinheiro, está preocupado e prevê um "impacto muito grave" se a decisão se confirmar.
A SATA e a TAP fazem os mesmos percursos que a Ryanair. De acordo com a Autoridade Nacional da Aviação Civil o mercado é claramente controlado pela açoriana SATA.
A segunda posição é ocupada pela TAP que tem uma quota de 12% nos movimentos e de 19% no número de passageiros. A Ryanair aparece em terceiro lugar, com 4% dos movimentos e 3% no número de passageiros.