Explicador Renascença
As respostas às questões que importam sobre os temas que nos importam.
A+ / A-
Arquivo
O que está a acontecer na Venezuela para que as companhias aéreas cancelem voos?

O que está a acontecer na Venezuela para que as companhias aéreas cancelem voos?

24 nov, 2025 • Anabela Góis


No Explicador Renascença desta segunda-feira, falamos sobre a instabilidade crescente na Venezuela, que levou ao cancelamento de voos por várias companhias aéreas, incluindo a TAP, e ao aumento das tensões militares na região das Caraíbas.

O que está a acontecer na Venezuela para que as companhias aéreas cancelem voos?

Pelo menos sete companhias aéreas, entre as quais a TAP, decidiram cancelar os voos previstos para a Venezuela esta semana. A decisão surge após um alerta emitido pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, que recomenda “extrema precaução” aos operadores de voos comerciais ao sobrevoarem o território venezuelano e o sul das Caraíbas. O alerta refere riscos durante o sobrevoo, nas fases de descolagem e aterragem e até para aeronaves no solo. As autoridades norte-americanas apontam ainda possíveis interferências nos sistemas de navegação por satélite utilizados na orientação e comunicação dos voos. A situação de segurança está a deteriorar-se e há um aumento da atividade militar na Venezuela e nos seus arredores.

Por que é que os Estados Unidos estão a reforçar a presença militar na região?

Desde agosto, os Estados Unidos têm vindo a reforçar a sua presença militar no mar das Caraíbas, onde já mantêm uma força significativa. Foram enviados submarinos, aviões de combate F-35, helicópteros, navios de guerra e, mais recentemente, o porta-aviões USS Gerald R. Ford. O presidente Donald Trump justifica esta mobilização com o combate ao tráfico de droga para os Estados Unidos. No entanto, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, considera esta presença militar uma “ameaça de invasão” e acusa Washington de tentar promover uma “mudança de regime”. Nas últimas semanas, os EUA realizaram cerca de 20 ataques aéreos nas Caraíbas e no Pacífico contra embarcações alegadamente envolvidas no narcotráfico, resultando em pelo menos 76 mortos.

Qual é a resposta do Governo de Nicolás Maduro face à crescente tensão?

O Governo venezuelano anunciou estar a preparar-se para um eventual conflito. Em comunicado transmitido na televisão, o ministro da Defesa anunciou a mobilização de cerca de 200 mil soldados e de forças navais, aéreas, fluviais, de mísseis, bem como milícias civis em todo o país. O objetivo, segundo as autoridades venezuelanas, é neutralizar um alegado ataque contra o Governo de Nicolás Maduro.

Quais são as companhias aéreas que suspenderam os voos para a Venezuela?

Além da TAP, também a Iberia (Espanha), Turkish Airlines (Turquia), Gol (Brasil), Avianca (Colômbia), Latam (Chile) e Caribbean Airlines (Trindade e Tobago-Jamaica) cancelaram os voos previstos para a Venezuela esta semana. No caso da TAP, foram suspensos os voos programados para sábado passado e para terça-feira.

O que acontece aos passageiros afetados pelos cancelamentos?

A TAP informou que todos os passageiros foram notificados do cancelamento dos voos e têm a possibilidade de pedir o reembolso. A transportadora lamenta o inconveniente, mas sublinha que a decisão tem como objetivo garantir a segurança de passageiros e tripulantes.

O Governo português já reagiu a esta situação?

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, reagiu ao assunto a partir de Angola, onde se encontra em visita oficial. Afirmou que a situação está calma e garantiu que não houve quaisquer pedidos de cidadãos portugueses a solicitar repatriamento. O ministro fez questão de frisar que, até ao momento, não existe qualquer registo relevante relacionado com esta crise.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.