24 nov, 2025 • André Rodrigues
Pode ser um ponto de viragem na guerra. Este fim de semana, Estados Unidos e Ucrânia reuniram-se em Genebra e alinharam posições quanto à solução para a paz com a Rússia.
Houve um alinhamento de posições entre as delegações dos dois países para aquilo que será a base para futuras negociações. E o ponto mais importante que ficou acordado entre Kiev e Washington é que qualquer solução terá de respeitar integralmente a soberania da Ucrânia. Portanto, afastando um cenário de concessões de território à Federação Russa.
Isto é um avanço. Veremos se nas negociações diretas entre o presidente dos EUA e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, estes avanços se concretizam na prática e se o plano inicial para a paz na Ucrânia — que foi visto como altamente favorável a Moscovo — vai ser alterado.
Pode acontecer ainda esta semana na Casa Branca, o que demonstra a importância da relação bilateral e a tentativa de acelerar um acordo político de alto nível.
A delegação ucraniana expressou gratidão pessoal a Trump pelos esforços norte-americanos para pôr fim à guerra. Isto depois de o Presidente dos Estados Unidos ter criticado o que considerava ser a falta de reconhecimento do lado ucraniano. Seja como for, do lado norte-americano, esta foi considerada "a melhor reunião até agora", um encontro bastante produtivo.
De acordo com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de todas as reuniões entre Estados Unidos e Ucrânia esta foi aquela em que houve maior respeito mútuo e clareza nos objetivos, o que permitiu identificar próximos passos concretos.
Portanto, mesmo sem um acordo de paz assinado, os Estados Unidos consideram que a criação de um quadro de paz é agora mais possível vista como um avanço real, mesmo sem acordo final assinado.
Depois disto, o passo seguinte será o tal encontro na Casa Branca entre Trump e Zelensky, para discutir de forma mais detalhada as garantias de segurança e os mecanismos para a adoção de um acordo de paz.
Só que isto levanta um grande desafio: garantir que a Rússia aceita um acordo que respeite a soberania ucraniana.
Sim. Aliás, a União Europeia procura afirmar-se como um ator político e diplomático nesta solução.
A Comissão Europeia elaborou um plano alternativo ao dos EUA. Um plano que pretende eliminar os pontos considerados mais favoráveis à Rússia. Reforçando a ideia de uma paz que não comprometa a integridade territorial da Ucrânia.
Ou seja, os 27 querem evitar que o processo fique exclusivamente nas mãos de Washington e Moscovo.