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Qual é o peso do setor privado no Sistema Nacional de Saúde?

Qual é o peso do setor privado no Sistema Nacional de Saúde?

25 nov, 2025 • Anabela Góis


No Explicador Renascença desta terça-feira, falamos sobre o crescimento dos hospitais privados em Portugal, com base num relatório da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que analisa a evolução e impacto deste setor no Sistema Nacional de Saúde.

Qual é o peso do setor privado no Sistema Nacional de Saúde?

Na última década, o setor hospitalar privado registou um crescimento significativo. Em 2023, passou a representar 11% da despesa corrente total em saúde. Isso equivale a mais mil milhões de euros do que em 2015. Em agosto de 2024, funcionavam em Portugal 95 hospitais não públicos, dos quais 64 pertencem ao setor privado e 31 ao setor social. Além destes, existiam ainda 146 unidades sem internamento, que atuam de forma integrada com os hospitais. A maioria da oferta concentra-se nas regiões Norte, Grande Lisboa e Centro.

Quem financia os hospitais privados?

A despesa é suportada maioritariamente pelas famílias e pelos seguros de saúde. Em 2024, os pagamentos diretos e os seguros já representavam um terço da despesa corrente total em saúde. Só em 2023, as famílias pagaram diretamente mais de mil milhões de euros aos hospitais privados. Este valor tem vindo a crescer a um ritmo anual de cerca de 6%.

O aumento de hospitais privados é positivo?

Depende. A ERS reconhece que, em teoria, a concorrência pode promover preços mais baixos, inovação e melhoria da qualidade dos serviços. No entanto, em Portugal, o setor privado é dominado por quatro grandes grupos, o que lhes confere um poder negocial significativo com o Serviço Nacional de Saúde. Isso pode resultar em preços mais altos e menor diversidade de oferta nas convenções com o SNS. A elevada concentração de mercado representa também uma barreira à entrada de novos operadores.

A concentração está a aumentar?

Sim. Em comparação com 2024, a concentração aumentou em 2025, sobretudo nas regiões do Oeste, Vale do Tejo e Grande Lisboa. Atualmente, 59% da população reside em concelhos onde a oferta hospitalar privada é assegurada por um número muito reduzido de operadores. Em várias zonas, existe apenas um hospital privado disponível.

Existem médicos suficientes para tantos hospitais?

Os hospitais privados contam com 14.340 médicos. Este número não é absoluto, já que alguns médicos podem trabalhar em mais do que uma unidade hospitalar. A região da Grande Lisboa é a que concentra mais médicos nos hospitais não públicos, com 2,7 médicos por mil habitantes. Apesar de ter mais estabelecimentos hospitalares, a região Norte tem apenas 1,5 médicos por mil habitantes. O Alentejo e a Península de Setúbal apresentam os rácios mais baixos, com 0,5 e 0,4 médicos por mil habitantes, respetivamente.

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