O balanço provisório do violento incêndio que destruiu esta semana um complexo de arranha-céus em Hong Kong regista pelo menos 128 mortos. O relatório de peritagem preliminar foi concluído esta quinta-feira e aponta para culpas nos materiais usados em obras de reabilitação que estavam em curso.
O que se sabe sobre as causas do fogo?
As causas do fogo ainda não estão apuradas em definitivo e as investigações prosseguem, mas com base no que foi apurado, as autoridades acreditam que o fogo terá começado na tela, feita de espuma, colocada no exterior dos andares mais baixos, como proteção contra o pó e a queda de objetos.
A partir daí as chamas subiram rapidamente devido a painéis de isolamento que protegiam as janelas.
O que ficou provado é que o incêndio foi agravado devido a andaimes de bambu e a estes painéis de isolamento que eram inflamáveis e que contribuíram para que as temperaturas fossem mais elevadas.
E ninguém se tinha apercebido do risco?
Os próprios moradores do complexo desde o início das obras reclamavam da segurança e fizeram-no várias vezes.
Foram, no entanto, informados pelas autoridades de que os riscos de incêndio eram relativamente baixos e que a resistência dos materiais usados estava de acordo com as regras.
No entanto, já depois da tragédia, a polícia admitiu que há suspeitas sobre algumas redes de proteção, lonas placas de plástico que podem, afinal, não respeitar os padrões de segurança contra incêndio.
E entretanto já há detidos?
Sim. Pelo menos 11 pessoas foram detidas até agora: oito nas últimas horas, por suspeitas de corrupção relacionada com as obras e três que já tinham sido detidas anteriormente.
São dois diretores e um consultor ligados à construtora responsável pelas obras, que são suspeitos de homicídio e negligência grave.
O incêndio fez, até agora, 128 mortos e 79 feridos, mas ainda há várias dezenas de pessoas desaparecidas.
O incêndio já está completamente extinto?
Sim, mas só esta sexta-feira é que os bombeiros deram por concluídas as operações, sendo considerado o pior incêndio em Hong Kong em quase oitenta anos.
No complexo de 30 andares viviam cerca de quatro mil pessoas.
Em Hong Kong os departamentos de Construção e Trabalho já informaram que vão fazer inspeções urgentes a edifícios em obras para garantir que os andaimes e as redes de proteção respeitam os padrões de segurança contra fogos.