10 dez, 2025 • Alexandre Abrantes Neves
A cerimónia de entrega do prémio Nobel da Paz decorreu esta quarta-feira em Oslo, capital da Noruega, mas não contou com a presença da venezuelana María Corina Machado.
A laureada também não esteve presente na conferência de imprensa. Qual é o motivo para estas faltas de Corina Machado?
O Explicador Renascença esclarece.
A principal cara da oposição ao governo de Nicolás Maduro não conseguiu, ao que tudo indica, sair da Venezuela em segurança e chegar a Oslo a tempo.
O programa inicial da cerimónia da manhã desta quarta-feira na capital norueguesa contava com a entrega do prémio a María Corina Machado, mas a agenda foi cancelada no dia anterior.
O Comité Nobel norueguês anunciou que a laureada afinal vai conseguir chegar a Oslo. Não deverá marcar presença na cerimónia, mas admite-se que possa aterrar na Noruega entre o final do dia desta quarta-feira ou quinta-feira.
Numa mensagem áudio divulgada, Corina Machado disse que já está a caminho de Oslo e voltou a agradecer o prémio, afirmando que tem muito significado para o povo venezuelano.
Nobel da Paz
A Prémio Nobel da Paz não chegou a tempo da cerimó(...)
A filha da líder da oposição venezuelana, Ana Corina Machado, recebeu o Nobel da Paz em nome da mãe que não vê há três anos.
Levou palavras bastante emocionadas, mas também esperançosas, afirmando que o caminho da Venezuela rumo à liberdade é, na verdade, um ato de amor.
Representando Corina Machado no palco, a filha mostrou-se convicta de que os venezuelanos vão brevemente voltar a viver em paz e a respirar livremente.
A Nobel da Paz estava na Venezuela, a terra natal, mas escondida, por medo de represálias. María Corina Machado é a principal opositora do governo de Nicolás Maduro a quem acusa de repressão política e de torturar e até assassinar adversários políticos.
Na altura das eleições presidenciais do país, Corina Machado foi muito falada em todo o mundo, mas foi impedida de concorrer. Porém, um dos seus braços direitos, Edmundo González, foi a votos com Nicolás Maduro.
Maduro acabou por vencer as eleições, mas o partido da oposição denunciou fraude eleitoral e, desde aí, Gonzalez está exilado na Europa com a família.
A última vez que María Corina Machado foi vista em público foi há 11 meses, numa manifestação precisamente contra o governo de Maduro.
Esta escolha do Comité Nobel baseou-se nessa luta, mas também gerou críticas, já que Corina Machado é habitualmente associada a partidos de direita mais conservadora, até radical, como o Vox em Espanha.
Para além disso, no dia do anúncio, a Nobel da Paz dedicou o prémio a Donald Trump e tem vindo a concordar com as operações militares dos Estados Unidos da América (EUA) perto da costa da Venezuela, acusando também Maduro de liderar uma “estrutura narco-terrorista”.