11 dez, 2025 • Anabela Góis
A greve geral marcada para esta quinta-feira é uma manifestação pública por uma vida melhor e os sindicatos da CGTP e da UGT convocaram protestos para contestar as alterações propostas à lei laboral.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou neste dia de greve geral dados sobre as condições de vida e rendimento dos portugueses, em 2024. Como é viver em Portugal?
O Explicador Renascença esclarece.
De acordo com o novo inquérito do INE, a taxa de pobreza desceu no ano passado – passou de 16,6% em 2023 para 15,4% – mas ainda há quase um milhão e 700 mil pessoas que vivem com menos de 723 euros por mês.
Há mais pessoas sem capacidade para assegurar despesas inesperadas, mas, sem apoios sociais, a taxa de pobreza em Portugal seria quase três vezes superior, ou seja, passaria a ser de 40,7%.
A descida é transversal, ou seja, a taxa de pobreza caiu em todos os grupos etários. Porém, esta redução é mais acentuada na população idosa, sejam homens ou mulheres.
O risco de pobreza também diminuiu, tanto entre a população empregada como entre os desempregados, e até mesmo entre os reformados.
Do lado oposto, o INE conclui que houve um agravamento da pobreza nas famílias monoparentais, com pelo menos um filho e nos casais com duas crianças.
INE
Dados do INE referem que as “transferências sociai(...)
Segundo o INE, os contributos sociais estão a impedir que a pobreza não seja muito mais elevada. As pensões de reforma e de sobrevivência, os subsídios de doença e incapacidade, de família, de desemprego e inclusão social são responsáveis por estes números.
Confirmam-se assimetrias por todo o país relativamente ao nível de pobreza. Há desde logo uma relação direta entre rendimentos e escolaridade: entre os que concluíam apenas o ensino básico, a taxa de pobreza ronda os 21%, mas a percentagem desce para 12% entre os que terminaram o secundário, e para 5,4% na população com ensino superior.
Avaliando por regiões, as assimetrias também são grandes. O Alentejo, os Açores e o Oeste têm taxas de pobreza acima da média nacional e, por oposição, a Grande Lisboa tem o risco de pobreza mais baixo do país. Já o Algarve apresenta uma taxa inferior à média nacional.
Para atingirmos os 10% de pobreza – a taxa definida para 2030 – teríamos de conseguir retirar cerca de 100 mil pessoas em média por ano da situação de pobreza.
Apesar de os dados não serem os mais recentes, o INE diz que em 2023 a taxa de risco de pobreza em Portugal estava acima da média europeia, embora seja inferior a países como Espanha, Grécia e Itália.