Explicador Renascença
Os portugueses vão menos ao médico. Isto é arriscado?
17 dez, 2025 • André Rodrigues
Estudo da Marktest para a Medicare revela que um quinto dos inquiridos só realizam exames a cada dois ou três anos. É um intervalo bastante prolongado.
Os portugueses vão menos ao médico e realizam poucos exames clínicos.
É a principal conclusão de um estudo da Marktest para a Medicare sobre hábitos de saúde da população.
O Explicador Renascença esclarece.
Por que é que isto está a acontecer?
O estudo aponta duas razões principais: dificuldades de acesso. É a resposta de um em cada quatro inquiridos.
E quando falamos de dificuldades de acesso, pode ser por falta de vagas, tempo de espera elevado ou distância dos serviços de saúde.
No entanto, a maioria diz que simplesmente não sente necessidade de ir ao médico.
Perceção de boa saúde é a causa para adiar?
Sim, mas pode ser enganadora, porque muitas doenças evoluem silenciosamente.
E o que este estudo da Marktest revela é que um quinto dos inquiridos dizem que só realizam exames a cada dois ou três anos. É um intervalo bastante prolongado.
Além disso, este estudo indica que apenas 14% da população tem consultas médicas regulares e só um terço vai ao médico apenas uma vez por ano e em situações agudas ou de urgência. Portanto, sim há pelo menos uma tendência para desvalorizar a prevenção.
Que tipo de consultas procuram os portugueses?
Mesmo entre os que mantêm alguma regularidade, a maioria limita-se a consultas com o médico de família. Muito poucos procuram especialidades médicas que são fundamentais para a manutenção da saúde, como cardiologia, ginecologia ou dermatologia.
Essa limitação pode deixar de fora áreas críticas da prevenção, onde a deteção precoce de problemas é decisiva para evitar complicações futuras.
Esse é o grande risco de não apostar na prevenção: a falta de acompanhamento regular aumenta a probabilidade de ocorrerem problemas de saúde com evolução descontrolada, o que torna os tratamentos mais complexos e menos eficazes.
Qual é a consequência?
Uma muito maior pressão sobre as urgências hospitalares, que são o fim da linha quando os problemas já estão agravados.
Além disso, os diagnósticos tardios aumentam os custos para o sistema e reduzem a eficácia dos tratamentos.
Por isso, este estudo da Marktest alerta para a necessidade de reforçar a cultura da prevenção e melhorar o acesso às consultas, para que os portugueses não fiquem dependentes apenas do médico de família ou das urgências.



























