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Salários baixos e saúde mental preocupante. Como está a qualidade de vida dos jovens portugueses?
17 dez, 2025 • Alexandre Abrantes Neves
Inquérito do Conselho Nacional de Juventude mostra que três quartos dos jovens até aos 30 anos ainda vive em casa dos pais e que perto de dois terços recebem menos de 1.500 euros brutos por mês.
O Conselho Nacional da Juventude (CNJ) publicou esta quarta-feira o estudo “ID Jovem: Juventude em Números”, com números concretos sobre a emancipação, participação cívica e qualidade de vida dos jovens portugueses. Abrangeu mais de 3000 pessoas, entre os 15 e 30 anos – e faz um retrato negativo das condições de vida da juventude em Portugal.
O que diz o estudo sobre a emancipação dos jovens?
Apesar de não ser surpreendente, os dados mostram que esta geração de jovens é altamente qualificada, mas também tem enormes dificuldades em emancipar-se.
Entre os jovens inquiridos, dos 18 aos 30 anos, 76% continuam a viver em casa dos pais e apenas 7% vivem sozinhos e não em casas partilhadas.
No grupo de jovens que ainda está dependente da família, sete em cada dez aponta como causa os custos elevados da habitação ou a falta de casas no mercado. Outro dos principais motivos passa pela insegurança do emprego, que 12% dos inquiridos dizem sentir.
E sobre o emprego. Os jovens ainda sofrem com vínculos precários?
Mais de metade daqueles que trabalham não tem um vínculo definitivo: 52% estão entre contratos a termo, recibos verdes ou trabalham mesmo como trabalhadores informais - ou seja, não declaram o que recebem.
Além disso, a situação salarial também é preocupante: quase dois terços dos jovens maiores de idade empregados recebem menos de 1.500 euros brutos por mês e mais de um quarto deles tem um ordenado inferior ao salário mínimo nacional de 870€.
Perante este nível de vida e a dificuldade em pagar contas, como está o bem-estar emocional dos jovens?
A saúde mental é uma preocupação identificada de forma transversal pelos jovens nas entrevistas feitas pela equipa de investigadores do CNJ. Ainda assim, muitos jovens dizem não conseguir aceder a esses serviços: mais de 100 pessoas apontaram dificuldades financeiras para aceder aos privados. Outras das principais razões passam pelas longas filas de espera no SNS e até o estigma de alguns familiares, que dificultam o acesso a consultas.
Perante os vários cenários negativos, que recomendações faz o estudo?
Há sugestões que não são novas: construir mais casas, facilitar o crédito a jovens, subir os salários e também reduzir os contratos a termo, que é uma medida contra a reforma laboral defendida pelo governo e que motivou a greve geral da última quinta-feira, 11 de dezembro.
Entre as sugestões, há também muitas sobre a natalidade. O Conselho Nacional de Juventude pede um maior número de vagas em creches gratuitas, mais apoios financeiros durante a infância e a criação de bairros seguros.
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