02 jan, 2026 • Sérgio Costa
O Presidente da República travou alterações que o Governo pretendia introduzir na Saúde.
O Explicador Renascença esclarece.
Em causa estão três decretos-lei ligados a mudanças estruturais na área da saúde.
Primeiro, o modelo de coordenação e centralização regional de serviços de urgência.
Em segundo lugar, pediu para aprimorar o novo Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia (SINACC). Marcelo Rebelo de Sousa mandou aperfeiçoar o novo modelo de contratação de médicos em regime de prestação de serviços
Em particular de obstetrícia e ginecologia. A ideia era concentrar as urgências a nível regional, em vez de cada hospital ter a sua própria, como já se verifica nalgumas especialidades no Norte do país. O objetivo do Governo era já no início de 2026 tentar resolver as dificuldades na chamada margem sul do tejo e concentrar a urgência de obstetrícia no Hospital Garcia de Orta e, a prazo, construir um novo centro materno-infantil.
O pagamento aos profissionais que fossem obrigados a fazer deslocações seria feito através de ajudas de custo, previstas na lei. Marcelo não promulgou. Ou seja, esta solução não vai avançar no imediato
Não. Sindicatos e Ordem dos Médicos manifestaram-se contra.
Alegam que o modelo proposto fragiliza o Serviço Nacional de Saúde porque gera incerteza clínica e dificulta a especialização dos médicos internos.
Com o novo sistema proposto, o Governo pretendia que o utente do SNS pudesse acompanhar a lista de espera em que se encontra, sabendo sempre em que posição está.
Chegado a um ponto crítico de tempo máximo, poder manter-se no seu hospital ou escolher um hospital dos sectores social ou privado na sua região para fazer a cirurgia.
Por agora, não vai avançar porque o presidente entende que este modelo deve ser aperfeiçoado.
Uma das medidas com que a ministra Ana Paula Martins queria disciplinar os valores pagos aos médicos e conseguir que optassem por fazer contratos com os hospitais.
O Governo preparava-se para reduzir os valores por hora para diminuir a diferença entre o que se paga aos profissionais do quadro e os profissionais sem vínculo mas que são chamados para garantir o trabalho essencial nos hospitais.
Por agora, esse corte não vai avançar.
O ministério da Saúde diz estar a analisar e admite alterações. Teremos de aguardar pela reação formal.