05 jan, 2026 • André Rodrigues , Sérgio Costa
É o assunto do momento: o Presidente da Venezuela e a mulher vão ser presentes a tribunal esta segunda-feira, em Nova Iorque. A audiência está marcada para o meio-dia, hora local -17h00 em Lisboa.
É o mais recente desenvolvimento da operação desencadeada durante o fim de semana e que culminou com a detenção de Nicolas Maduro.
O Explicador Renascença.
Parece surpreendente, mas a verdade é que tudo o que aconteceu na madrugada de dia 3 já era mais ou menos previsível. A intervenção norte-americana foi levada a cabo após anos de acusações formais de narcoterrorismo e tráfico de droga contra Nicolás Maduro por parte dos Estados Unidos.
Nos meses que antecederam esta detenção, as forças norte-americanas atacaram dezenas de embarcações no Mar das Caraíbas, suspeitas de transportar droga para os Estados Unidos. Mais de 90 pessoas morreram nesses ataques.
No início do mês passado, Donald Trump fez o aviso, disse que o regime de Maduro tinha os dias contados e admitia uma intervenção militar na Venezuela. Aconteceu este fim de semana.
O Presidente norte-americano deu ordem para atacar o país e prender Maduro e a mulher Cilia Flores, ambos acusados de narcotráfico.
Vamos aos factos. Há acusações formais dos Estados Unidos contra o Presidente venezuelano, alegando que Maduro lidera o Cartel de los Soles.
O Departamento de Justiça norte-americano diz ter provas que justificam essa acusação. Mas não foi apresentada qualquer prova pública.
Seja como for Washington não só acredita que Nicolas Maduro lidera esta organização como alega que esta rede de corrupção e de narcotráfico envolve figuras de peso da hierarquia política e militar da Venezuela.
A informação que existe revela que será uma rede descentralizada de células dentro do Estado, que facilitam e lucram com o tráfico de drogas, a mineração ilegal e o contrabando. Portanto, tudo indica que este grupo também estará envolvido noutras atividades para além do narcotráfico. Por exemplo, o tráfico de combustível.
Mas, na base da intervenção norte-americana, está o facto de esta rede ser acusada de facilitar o transporte de toneladas de cocaína da Colômbia para os Estados Unidos e para a Europa, através de território venezuelano.
Há informações contraditórias. Segundo o World Drug Report 2025, a Venezuela desempenha um papel marginal no tráfico directo para os EUA. Estima-se que apenas cerca de 5% da cocaína colombiana transite pelo país.
Já o Departamento Antidrogas dos EUA afirma ter apreendido 30 toneladas de cocaína vinculadas ao governo de Nicolás Maduro.
Delcy Rodriguez, é a vice-presidente de Nicolas Maduro. Foi designada pelo Supremo Tribunal venezuelano.
A administração norte-americana já disse que pretende uma transição adequada e, nas últimas horas, o próprio Donald Trump ameaçou a vice-presidente com consequências mais duras do que Nicolás Maduro, caso recuse a cooperação com Washington. É a resposta ao facto de Delcy Rodríguez ter rejeitado o controlo norte-americano sobre o país.
Trump disse que a América controlaria a Venezuela até à tal transição que considera adequada. Portanto, não está fechada a porta a uma nova vaga de ataques à Venezuela.
Tudo vai depender daquilo que o Presidente dos EUA entenda ser a cooperação do Estado venezuelano, depois da saída de cena de Nicolas Maduro.