05 jan, 2026 • Anabela Góis
Depois do período festivo, é tempo de balanço na sinistralidade rodoviária. A GNR e a PSP registaram um agravamento da sinistralidade rodoviária face ao período homólogo.
A Operação Natal e Ano Novo contam com números trágicos nas estradas portugueses nas últimas duas semanas do ano. Que fatores agravaram os números este ano?
O Explicador Renascença esclarece.
Os números refletem a operação conjunta da GNR e PSP Natal e Ano Novo que decorreu entre 18 de dezembro e 4 de janeiro.
Durante esse período, 38 pessoas morreram em resultado de 6.083 acidentes nas estradas nacionais. Houve ainda 127 feridos graves e 1.643 feridos leves.
Apesar da operação policial ter tido mais dois dias do que a anterior, o balanço é, ainda assim, negativo.
Houve mais acidentes, mais vítimas mortais e mais feridos graves.
No caso das 38 vítimas mortais, por exemplo, 23 registaram-se no período de Ano Novo, sendo que só nesta sexta-feira e sábado houve oito vítimas mortais, ou seja, quatro em cada dia.
Balanço provisório aponta para agravamento da sini(...)
As causas ainda estão em investigação, mas, tendo em conta o resultado das operação de fiscalização e os dados relativos aos acidentes durante todo o ano anterior, não é difícil adivinhar que o álcool e o excesso de velocidade potenciaram muitos acidentes.
Os dados do Instituto de Medicina Legal revelados esta segunda-feira pelo jornal "Público" mostram que 103 dos 282 condutores que morreram ao volante em 2024 e que tinham consumido bebidas alcoólicas apresentavam taxas de álcool no sangue superiores a 0,5%, sendo que 75 tinham mesmo uma taxa crime, superior a 1,2 gramas por litro.
São muitas pessoas que ainda não tomam os devidos cuidados: foram fiscalizados 145.223 condutores, dos quais 1.448conduziam com excesso de álcool e, destes, 741 foram detidos por conduzirem com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l.
Das 19.778 infrações registadas, a maioria é por excesso de velocidade, seguida de excesso de álcool, falta ou incorreta utilização do cinto de segurança e uso do telemóvel durante condução.
Para além disso, foram ainda detidas 262 pessoas por conduzirem sem carta.
Porém, as campanhas de sensibilização continuam a ser ignoradas e há vários anos que a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária está a planear bloquear a carta a condutores nestas situações, nomeadamente, profissionais e reincidentes.